segunda-feira, 12 de março de 2012

Geração Perdida

Aponta-se hoje, segundo os reclames do pessoal mais velho, ou seja, os remanescentes de 68, uma década de lutas por liberdades individuais e de lutas contra o preconceito, uma diferenciação de nossa geração, a do pessoal dos trinta anos hoje, que beira um abismo de caráter e delineação pessoal.
Aparentemente, somos nós, adultos de hoje, pessoas bem diferentes do que foram os adultos daquela geração outra, onde lutar por seus direitos era quase uma constante em todas as áreas. Eram, com certeza mais unidos, e, de quebra tinham em mente o que queriam para si e para o próximo. Fator esse que não vem a resvalar sequer entre os sonhos de nossos mais novos “grown-ups”.
O que vemos hoje, é uma geração, fruto dos anos oitenta, que não enxerga-se de maneira individual, mas como um coletivo de desinformados e destemperados em gosto e valores. Somos uma casta libertina, das visões distorcidas de mundo e de uma vontade sem objetivo apenas deixada a esmo e numa inércia a levar nossos descendentes da outra geração a um conclave de irrefreados esnobes, que acham seu direito abrir caminho com uso de força e vislumbram uma estética em que a velhice não tem lugar, existindo assim através de desforras e fanfarronices sem tamanho e finalidade.
Escuta-se dos nossos jovens a esperança de que sejam diferentes do que hoje o somos; que saibam crescer sem pôr em vista as desilusões pelas quais passamos e saibam reter seu mundo com mais equilíbrio e humanidade; mas, ao que vejo, nem mesmo estamos nós preparados para, como pais, educarmos as próximas gerações, haja vista o despreparo legado de um pessoal – muito generoso, diga-se de passagem -; tendo experimentado para chegar onde chegaram, muito do diverso e confuso do qual bebemos sem saber bem no que ia dar.
Na vertente deste mundo louco, vamos caminhando e procurando chão onde há areia movediça, tentamos criar nossos filhos como nossos pais nos criaram; ainda sabendo estarmos diante de crianças diferentes do que fomos, e acima de tudo, procuramos salvarmo-nos de preconceitos e intolerância, comuns nas diversas classes, do pobre ao rico, sem diferenciação e, por fim, não condenarmos nosso futuro a uma maré de azar por nós mesmos criada com inconseqüências, mentiras e corrupção.
Daí, conclui-se dos que – jovens – se foram antes do tempo, que não foram em vão, mas tentaram na completa desrazão achar aquilo por muito procurado, uma paz da qual não requeremos mais da ciência de um estado de cousas melhor e mais conveniente para poder-se viver com alguma tranqüilidade. Estes, nossos pobres trágicos, vislumbraram como no vôo de Ícaro a luz de uma iluminação, mas como reza a lenda, não voltaram vivos para contar-nos do que viram. É realmente uma pena.
E ainda, estamos a viver neste riscos, e, se não aprendemos nada com nossos próximos, perdidos no tempo desta geração perdida, estamos no círculo de fogo do qual apenas escapam, aqueles que sabem dosar força com astúcia, não sendo arrogantes para falar que a verdade sua (muitas vezes algo devido a formação pessoal de cada um) seja a verdade universal, assim não conquista-se; isola-se. E tornar aos valores mais constantes e moderados, onde seja possível a vida através do equilíbrio de forças.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

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