quarta-feira, 16 de maio de 2012

Trabalho Escravo: CPI?

O país do futuro não vive apenas no passado quando o assunto é futebol, as nossas obras para a Copa são um impropério de se notar. Não obstante não é apenas (infelizmente) no fator “pelota” que o Brasil vem dando pra trás.
Foi inequivocamente incompreensível o período da duração da escravatura por aqui, quando para tornarem-se libertos, os escravos foram sendo alvo de leis duvidosíssimas, como a Lei do Sexagenário, onde emitia-se documento de liberdade ao predito quando esse virava a faixa dos sessenta anos. Ora, a vida média, ao século XVIII, era de trinta anos no máximo para essa faixa específica da população, quando solto, estigmatizado por sua condição, aquele iria sobreviver do quê nos anos restantes de sua vida?
Para além dos questionamentos, em 13 de maio de 1888, com a implementação da Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, tornavam livres os negros africanos trazidos para cá contra sua vontade, caçados para viver sob condições sub-humanas e servir aos Senhores de Engenho; isso, diga-se de passagem, só foi ocorrer após todos os países americanos terem libertado suas almas sob o cárcere sombrio da privação maior de sua liberdade: a escravidão.
Como se não bastasse, em pleno século XXI, é preciso criar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Trabalho Escravo, por esta prática continuar reticente, sempre sob os olhares das elites latifundiárias.
Como assim?
A princesa assinou o que, então? E a que grau de civilidade chegou o mundo para, em plena revolução digital, as atenções estarem voltadas para gente que trabalha forçado pros outros, por estes terem domínio capital sobre aqueles? Que democracia é esta?
Sinceramente, sinto-me envergonhado de ter de relatar uma notícia calamitosa como esta. A insensatez do ser humano nunca fora mistério intocável, mas é de se esperar um mínimo de razoabilidade para quem ergueu – a saber, a raça humana – após tanta estupidez, uma Organização como a das Nações Unidas, sendo esta tão distante que é preciso o alerta das populações para o que ainda vivemos sob níveis intoleráveis do mando do mais forte sobre o mais fraco. Que espécie de alerta é esse? Já deveríamos ter ultrapassado essa etapa há muito! De outra forma, o que será de nós, animais sem governo algum...
Claro, agir desse modo é um mister: tem-se de haver uma CPI para cuidar disso, é mister o logro da sociedade e, que todos fiquem sabendo deste fato. O que me apavora, é achar que remediar um problema destas dimensões seja simplesmente parte do jogo político. Achar tão friamente como o continente polar que faz parte, uma luta corriqueira: não!, somos responsáveis em nossas consciências de nos indignarmos; isso não pode faltar, isso não é normal! Trabalho escravo: CPI!?

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

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