O gigante acordou.
As locações povoadas por manifestantes abrangem o país todo, o descontentamento com a corrupção, a impunidade, e instâncias que deveriam ser garantidas pelo serviço público, como saúde e educação, reflete-se nas ruas; os vários movimentos que juntaram mais de 250 mil pessoas em um dia, espalhadas pelas capitais e cidades do interior, denota principalmente a insatisfação geral com o status quo.
Inda tenhamos uma presidenta com uma popularidade latente, o país erigido a certo patamar de equilíbrio econômico, mesmo com as suspeitas de extrapolarmos a inflação prevista, ou, com o discreto crescimento do PIB; as ruas estão sendo tomadas por um manifesto que pede por mais igualdade, e responde aos clamores derramados pelo cenário global; em um só reclame.
A preocupação maior – e talvez a única – é a de que, infiltrados, alguns revoltosos manchem a bandeira dos rebeldes; à princípio com fins pacíficos, e tornem o imbróglio em um banho de sangue e vandalismo.
Por vândalos, no entanto, deveremos entender apenas aqueles a quem é dado o direito de reclamar pacificamente e que agem como fosse necessário tocar fogo em carros e jogar coquetéis molotov dentro de estabelecimentos estatais – pelo contrário, a verdadeira verve revolucionária é esta a qual está nas redes sociais se unindo e (mais ainda) se organizando para que os protestos ocorram de modo em que sejam ouvidas suas reivindicações sem precisarem de usar da força; o mesmo partindo por parte da polícia, a qual, diga-se de passagem, tem se comportado ora de modo aceitável, ora abusando da violência.
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
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