Da Fortaleza Bela à ágora da Insegurança, a metrópole nordestina, quinta maior cidade do país vive um momento particular em comparação com as demais capitais, há hoje uma sensação a traduzir-se em medo e pavor, que remete à insegurança da população em sair às ruas e participar no meio social.
A situação chegou a gravidade tal que houveram de mobilizar-se os cidadãos numa marcha a céu aberto por uma política de segurança e bem-estar social, levando 3 (três) mil pessoas a concentrarem-se em frente ao Palácio da Abolição, sede do governo estadual, e descer à Beira Mar em protesto contra a violência urbana.
O movimento “Fortaleza Apavorada”, ebuliu nas redes sociais desde de abril, e tomou corpo na população, insatisfeita com a atitude passiva dos governantes.
Criticado como uma manifestação “elitista”, a horda que desceu ladeira abaixo para a praia, mostrou entretanto, participar às classes médias urbanas, as potenciais vítimas da bandidagem a correr solta por todas as localidades.
O manifesto ocorreu de modo pacífico, com policiamento reforçado que acompanhou os insatisfeitos durante todo o percurso.
Um sucesso.
Espera-se, como toda causa implica em uma conseqüência, do ato ter servido de aviso às altas castas da politicagem, que saibam da população estar disposta a protestar e ter em mãos um poder de organização até então visto como improvável e que vingou e ganhou as páginas dos jornais.
É uma luta por direitos cidadãos, uma prova de insurreição popular, não apenas uma ação restrita a uma pequena esfera do poder público no sentido estrito do termo. Referência, esta primeira mostra de que é possível a sociedade organizada exigir suas reclamações cumpridas, reforça por último representatividade social contra um problema que assola todo o país.
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
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