Às entrelinhas, uma data é uma efeméride, é disto pouquíssimos sabem - repreender nunca é de mais, provando a mentir, a História fora aquilo a cuja entabulação ao título escolhida é por onde deveriam começar, os nossos formadores de opinião, sempre em quando iniciam um artigo.
Somos agora muitos, milhares; milhões até.
Porém, isto não vem ao caso - as ruas ainda estão desertas; são 16hs, a manifestação (desta ocasião) preme pela esquerda pelo viés; pelo centro pela ideologia. Todos encontram-se sob a tutela de seus patrões, acorrentados ao trabalho, o capital circula, é um sol ameno, um inverno parece haver passado, surge a tremeloquência das flores uma promessa de primavera, setores organizam-se à calada, o mito então , em uma palavra , edêmicos catecistas intramelados na Catedral da Sé, moradores de rua, meninas prostituídas, camelôs, tabeliões, poetas, vaga-mundos, todos, enfim, à espera de um sinal, algo, um qualquer danado pândego brinca nos pátios das escolas, as mães esperando seus filhos, o dia é hoje, crepuscular a tarde amena, em azul o céu limpo, em vermelho as bandeiras, em silêncio as promessas, ao cabo de tudo, um fim.
Garantias, é o que querem os manifestantes, contra a corrupção, a mentira, a história - a verdade! O óbvio, a unanimidade, o voto, as rodas de conversa, os jogos de mesa e os de azar, a ganância, o ódio e o amor, a liberdade de expressão, às prensas nos jornais, vomitam notícias, o amanhãs feito hoje; tudo um tanto quanto independente e ardoroso, como o sangue, pulula nas vielas -: uma veia inocente.
O povo vai às ruas hoje. Decidir o futuro da nação.
Não adianta omitir, feroz condição, uma eleição cada dia. O povo vai às ruas, decidir o futuro... Deus está furioso.
Pedro Costa
Nenhum comentário:
Postar um comentário