quarta-feira, 29 de maio de 2013

Andando com os Próprios Pés

Repasses sobre o andamento da Comissão da Verdade, órgão responsável pela apuração das atrocidades cometidas pelo governo militar durante a ditadura 1964-88, indicam proceder, no surgimento dos testemunhos, nas emissões de depoimentos dos torturados, e vítimas em potencial do sistema ditatorial vigente à época, permanente, a causa na luta a partir das insurgências referidas a tão desolador período de nossa história.

O risco de retrocesso, ou seja, de estacionar o processo em instâncias jurídicas a não levarem a lugar nenhum, afora as demais problemáticas inseridas em um projeto que há dois anos está em trâmite, não vogou.

O que se observa, é, cada vez mais, com o surgimento de novos Comitês de diferentes naturezas sendo erigidos; a Comissão responder por quem é: uma organização para esclarecer, informar, denunciar e punir os culpados dos mais hediondos crimes já cometidos sob delega de algozes escondidos sob a cúpula, à época, o levante militar que nos trouxe à derribada, mesmo dentro do processo revolucionário.

Abarcando um universo a que se propõe, a iniciativa pública revê os principais pontos dos chamados “Anos de Chumbo”; indo além de recapitular, mantendo viva na memória dos brasileiros, estes os quais não vivenciaram o momento político em voga no então período da ditadura, a hecatombe que fora o desgoverno de que valeu-se o Estado para, com fins atrozes, “abrandar” a situação de polvorosa, perseguindo, torturando e matando muitos de nossos jovens; verdadeiros mártires, de quem o heróico não deixa de ser, pela mesma Comissão, rememorado e efetivamente vivido nos dias de hoje.

Com uma reunião de balanço, ocorrida na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, de responsabilidade da deputada Eliane Novais, presidente da Comissão de Direitos Humanos, apurou-se o bom resultados dos esforços no sentido de trazer à tona, e por vezes mexendo em pontos nevrálgicos, os horrores perpetuados durante a guerra entre os poderosos e os revolucionários.

Pena para os culpados.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ponte Estaiada

Rompendo a tradição, os moldes da sociedade em busca de uma dita modernização na paisagem de Fortaleza, a construção de uma ponte estaiada ferindo a região de preservação do Parque do Cocó, passando pelo rio e ligando lados da cidade, num desafogo do trânsito, à primeira ordem, pode parecer num projeto de liame progressista, atender ao rogo das deficiências urbanas e mesmo tornar-se um novo cartão postal para a cidade.

Paradoxalmente, entretanto, na virada de um novo milênio, às maravilhas da ciência imposta na solução de problemas como este, há nesta mesma linha a necessidade de preservação; uma condição ortodoxa, talvez, mas um requisito que pauta o laisse faire de modo moderno, às vias de termos como sustentabilidade e ecologicamente viável.

No entorno do parque a política demanda uma resposta para a pergunta principal, cá imposta: a construção da tal ponte iria, realmente, amenizar os problemas a que se propõe? Ou ainda, o capital investido traria o retorno esperado quando o fluxo pela região é de ordem quilométrica e precisa ser adejado?

São questões a serem discutidas.

É justo no debate, onde a própria delimitação da área é um ponto nebuloso, onde moram as saídas para não obstante o parque necessite a preservação, Fortaleza continue a crescer independentemente das medidas tomadas – ponto nevrálgico este, já que as propostas de sustentabilidade ambiental venham a colidir com a premência enxergada nas aberturas implicadas com a especulação imobiliária, a qual, poderia transformar toda a área verde em um conjunto de concreto, lacerando assim não só a cobertura vegetativa, mas causando inúmeros transtornos como ondas de calor; as chamadas ilhas.

Importante ressaltar a disposição com que alguns setores da sociedade civil têm se posicionado em relação ao tema, buscando no diálogo uma maneira de propor um meio termo entre o processo de engrandecimento material por que passa toda metrópole em determinado momento de sua existência e o arregimento eco-ambiental tocante à premente revolução das políticas urbanas no seio da sociedade.

No mais, a importância de um vislumbre não reacionário, a conter nos dois âmbitos mesurações, cáuculos, advindos de um constante desenvolvimento da discussão provinda corriqueira de embates assim se nos impostos enquanto cidadãos, é enaltecer o valor da propriedade, ao passo em que entre-se a melindres devedores ao caráter econômico, também um fator a ser relevado se considerado insumo de um sistema em vigência.

Clama o social, mas requer à dissolução na prática política, a resolução final deste embate; levando aonde puder a medida mais justa sem peso para os detentores do poder público maior ou menor que os delegados por direito à sociedade civil.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

terça-feira, 14 de maio de 2013

A Rede de Marina

Um prato cheio para piadas de duplo sentido, no entanto, a rede sustentável, proposta da então verdista, e possível candidata à presidência da República, Marina Silva, mostra suas garras.

Do modo como conseguiu assinaturas de setores diversos, agora timbrada em papel a criação da Rede de Sustentabilidade, é um partido revestido de pele de causa social, até porque neste ponto, averiguando-se a conjuntura atual, a saber, da fragilidade em que se encontram o partidarismo e políticas de mesmo tom, a investida contra o status quo venha como uma estratégia que, quiçá, pode ser bem sucedida.

Por que isso seria bom para o país?

Muito bem. Dada a crise de desenvolvimento a envolver todo o sistema de lucro e capital, uma proposta desta envergadura, de partida revela-se um troco a quem nunca acreditou de políticas desta natureza (com a perdão do trocadilho), fomentarem discussão em âmbito nacional.

Outro viés é o de parecer apenas poder sair da bagagem pessoal da pré-candidata – ainda não queira Silva viabilizar o embate para a presidência antes do tempo – a gerência de pautas semelhantes às que defendeu como bandeira desde os tempos de ministra.

Enfim, concordata de tendência global, a rede de Marina, não é para pousar as intermitências de preguiçosos políticos, mas, existe na certeza de que nascem novas modalidades de fazeres varonis em um país onde a efervescência no debate ecológico não é apenas o único entrave.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

terça-feira, 7 de maio de 2013

O Brasil que Incomoda

A adoção do termo BRICS para designar países em franca expansão econômica não é ao acaso um termo criado na vazão de uma falta de outras nações para cumprirem o sentido da expressão.

Tanto brasileiros como chineses e africanos do sul ou indianos e russos, tem entabelado nas castas detentoras do poder refratado à nova política global através de um meio translúcido, a saber, o desenvolvimento nas áreas de social agora têm posto em evidência países-potência, com certificado de garantia de que suas políticas públicas sejam ventos favoráveis ao desenvolvimento nas regiões onde são os representantes, os chamados “países do sul”.

À hegemonia global, este fato é simples e incomoda.

Teremos, ao conluio da crise sistemática com a delação do capitalismo atual quanto respaldo, uma base que mostra dilapidação em seus pilares , revertendo um antigo processo colonizador; uma representação do poderio das nações emergentes. É lógico que, para as potências imperialistas do século vinte, hoje o crescimento factual e competitivo ligados ao desenvolvimento dos BRICS, tange, ao que imposta-se, um ponto nevrálgico, em uma palavra, a virulência com que processam suas decisões, estas a promover nessas localidades um melhor meio de vida; uma diminuição dos índices de pobreza e um maior alcance cultural – este, um malogro para quem estivera por mais de um século, a decidir o destino destes países.

Não obstante, representativamente e concretamente, tais os BRICS posicionam-se e ganham terreno, para quem acostumara com a potencialidade econômica em sobrepô-la aos seus antigos subjugados, o jogo sendo virado no tabuleiro deles, não há como não erigir uma resposta, e, mesmo que às relações diplomáticas tudo pareça correr bem, na realidade existe uma vontade de que não cresçam, ou melhor, que vinguem livres suas competências, porém, de forma a não abalar a ordem pré-estabelecida.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Aceitar as Diferenças

Em curso projetos que tratam da chamada “cura gay”, renitente de projeto em tramitação do então deputado pelo PSC, Marco Feliciano, que corre na Câmara, o mesmo que acusara os negros de uma herança maldita vinda de Noé numa interpretação no mínimo ortodoxa da Bíblia e que acredita que a aids é uma punição divina para a escolha de gênero; o mesmo que ainda, acha que o próprio Lord resolvera, à frio, encurtar aos 40 anos a vida do músico John Lennon, e, dos inócuos e divertidos componentes do grupo musical Mamonas Assassinas. De posse destas informações, a crítica apurou que Feliciano, por ocupar o cargo – algo de um absurdo incomensurável – de presidente da Comissão de Direitos Humanos Nacional, está revertendo o processo que ora voga no seio de uma sociedade a lutar por direitos e respeitos iguais para todos e de uma forma retrógrada e conservadora mina a posição de ativistas das minorias. No olho do furacão, tais minorias vêem-se acuadas, mas não se resignam a aceitar o status quo e militam em favor de um meio social mais igual e tolerante às diferenças, que deveriam ser aceitas não obstante etnia, gênero ou opção sexual; no entanto, é uma posição que apenas uns poucos dos nossos governantes abraçam como causa política, para em aceites, levadas a projetos para a proteção destes direitos, previstos na Constituição. Levar à desforra essa questão é o quanto está a fazer a parte da população crente de que com um movimento sólido, os prenúncios de um presente robusto por ter vencido guerras anteriores, mas de semelhantes aspectos, como a da ditadura a cassar direitos individuais de liberdade, no passado e refratadas as posições assumidas para o meio, pela mídia por exemplo, hoje, após entendida a mensagem, não mais comportam-se passivamente e reativam seus setores de ações, no sentido de acabar de uma por todas deliberações preconceituosas tendenciosas e arcabouçadas em dogmas mau interpretados.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará