O que realmente acontece quando um grande líder assim vai, de maneira que sua história confunda-se com a da luta pelos direitos humanos, igualdade de condições e pela paz?
Para responder esta pergunta, seria necessário um guia. Uma direção por onde possam passar, além das inesgotáveis homenagens, o senso comum em que tornou-se lembrar Nelson Mandela, uma referência; alcançando méritos por quanto tenha feito, por quem foi e pela trajetória de vida.
Palavras assim, poderiam apenas embelezar um discurso.
A real condição de um ser humano como fora Madiba – apelido carinhoso dos mais próximos, das populações em quem virou-se um pai de órfãos da Justiça – reside nos efeitos imateriais de uma presença premiada com o carisma, de uma estirpe nobre, de uma antevisão aos desmandes e de um grito liberto para por à estaca zero o regime do apartheid, de quando preso liderando o que não era um foco de resistência apenas, mas uma voz gutural de um povo, de uma nação.
Após 27 anos em cárcere, havendo dali remanejado prestígio e respeito para sua pessoa, é liberto e elege-se o primeiro presidente negro de seu país, a África do Sul. Após cumprir mandato, inesperadamente, declina uma possibilidade de continuar no poder, de modo a propagar o continuísmo de seu legado de uma posição afastada, mas ao mesmo tempo, mais íntima do que seria sua verdadeira e prioritária luta: o fim das guerras por diferenças étnicas.
Ganha o Prêmio Nobel da Paz.
E, sua marca. O sorriso. Espalha-se pelo mundo conteúdo de toda sua personalidade única, enlevando o olhar e promovendo uma conquista imediata de seus adeptos bem como o respeito dos opositores.
Mandela deixa uma marca. Um registro de que a humanidade pode ser boa. E, inda que os mais pessimistas roguem que, após sua morte, o equilíbrio instituído por sua ação consensual, possa-se perder em detrimento de sua ausência; é vago o pensamento, haja vista Nelson Mandela exprimir numa condição intencional de para quem ache que a luta de um homem durante toda sua vida possa esgotar suas remanescentes compensações para a falta de logro do ser humano, uma sincera e perene causa para ser seguida; preste-se mais atenção - o quanto resumir-se um quadro de proporções como as do grande Madiba, não alvejará suas permanentes conquistas.
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Educação pra Quê!
Foi durante uma sessão de comemoração do dia do servidor. Eles foram chegando, fazendo número e amontoando-se pelos cantos do plenário 13 de maio. Os protocolos iam tomados pelo brio característico com quem insuflam-se os homenageados, alguns dali a nem sequer terem o conhecimento dos quantos estavam envolvidos no evento, mas vindos de outras praças – das ruas, das agremiações, do povo.
Parte disso havia sido planejada. Parte não, uma surpresa.
O fato foi o seguinte: admirados com sua própria maioria, os manifestantes oriundos do universo estadual, professores, estudantes e servidores, enxergaram naquele momento o instante ideal para por em prática os reclames de desprezo por quem passa a universidade, no interior e na capital. Na hora mesmo, fincaram pé. Não sairiam dali sem fossem atendidas suas demandas; entre as mais fortuitas a abertura de diálogo com o governo do estado. Por força de sua presença, os deputados, Eliane Novais, Tim Gomes e Raquel Marques pairavam um tanto atônitos ao desencadeamento dos acontecimentos naquela quarta-feira cinza de final de novembro. As conversações foram iniciadas ali mesmo, com os agora ocupantes sentados em rodas, suas lideranças e a unidade inconformada com o tratamento que é lançado aos imperativos basilares da educação. Após alguma negociação, movem-se para o lado de fora do plenário, entretanto, dali não arredando pé. Como era de se esperar, o policiamento não tarda. Cerca-os. Ninguém entra, ninguém sai.
Hoje, faz exatamente uma semana. Perambulando aqui, os mesmos autores; as mesmas caras. Eles não desistiram. Trabalha-se por ordem indireta deles, pautam nossa agenda e cobram mais conversa pois que mora aí – acreditam piamente – a única esperança de se chegar ao governo, com muita razão. Os líderes são incansáveis; a militância engorda seu número. Agentes cercam os certames da Assembleia, trazem pão, água, roupas para finquem pé ali, não movam-se, insistam enquanto agüentar o limite do corpo.
As negociações, bradadas em questão de ordem, estão ainda liquefeitas haja vista nenhum representante direto do governo haver tido a paciência (ou a boa vontade) de aparecer. Carecem de coragem, parece. Ou é descaso mesmo. O estouro da boiada pode ainda estar por vir se não forem atendidas as reivindicações. Porque alguns disseram, a luta continua e, com uma data expedida de junho do corrente ano, as ações em favor da democracia não cessaram. Esta não é apenas mais uma. Eles vieram pra ficar.
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
Parte disso havia sido planejada. Parte não, uma surpresa.
O fato foi o seguinte: admirados com sua própria maioria, os manifestantes oriundos do universo estadual, professores, estudantes e servidores, enxergaram naquele momento o instante ideal para por em prática os reclames de desprezo por quem passa a universidade, no interior e na capital. Na hora mesmo, fincaram pé. Não sairiam dali sem fossem atendidas suas demandas; entre as mais fortuitas a abertura de diálogo com o governo do estado. Por força de sua presença, os deputados, Eliane Novais, Tim Gomes e Raquel Marques pairavam um tanto atônitos ao desencadeamento dos acontecimentos naquela quarta-feira cinza de final de novembro. As conversações foram iniciadas ali mesmo, com os agora ocupantes sentados em rodas, suas lideranças e a unidade inconformada com o tratamento que é lançado aos imperativos basilares da educação. Após alguma negociação, movem-se para o lado de fora do plenário, entretanto, dali não arredando pé. Como era de se esperar, o policiamento não tarda. Cerca-os. Ninguém entra, ninguém sai.
Hoje, faz exatamente uma semana. Perambulando aqui, os mesmos autores; as mesmas caras. Eles não desistiram. Trabalha-se por ordem indireta deles, pautam nossa agenda e cobram mais conversa pois que mora aí – acreditam piamente – a única esperança de se chegar ao governo, com muita razão. Os líderes são incansáveis; a militância engorda seu número. Agentes cercam os certames da Assembleia, trazem pão, água, roupas para finquem pé ali, não movam-se, insistam enquanto agüentar o limite do corpo.
As negociações, bradadas em questão de ordem, estão ainda liquefeitas haja vista nenhum representante direto do governo haver tido a paciência (ou a boa vontade) de aparecer. Carecem de coragem, parece. Ou é descaso mesmo. O estouro da boiada pode ainda estar por vir se não forem atendidas as reivindicações. Porque alguns disseram, a luta continua e, com uma data expedida de junho do corrente ano, as ações em favor da democracia não cessaram. Esta não é apenas mais uma. Eles vieram pra ficar.
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Tenso Despertar
Aportam os primeiros raios das eleições de 2014.
Por certo, ao reluzir o ano que chega, a mesma aurora sob quem às promessas se batizam nossas ações de para o ano, serve para jogar luz sobre as tendências dos políticos em fazerem-se objeto para as especulações, as quais já despontam nos clarins – efervescentes e promissoras.
Com o resultado do mensalão, a junta que uniu sob mesma bandeira a oposição, e as entidades de corpo social emergindo para polvilhar o meio com o trejeito de populares as divergências para com os poderosos; a retrospectiva de 2013 entoa seu cântico aos primeiros esvanecimentos de dezembro que entra.
Às contíguas manifestações que desde junho, feito um barril de pólvora, repaginaram nos jornais a ação de setores insatisfeitos da sociedade, devem perdurar – haja nunca cessarem por completo – apresentando a insatisfação popular emembrada com artífices politiqueiros, uma mistura, ao menos, inusitada de quem padecemos, ou como um mal menor, ou, por conseqüência dos desmandos da política.
Reverberar de como será o próximo ano, incluindo eleições e Copa do Mundo a rivalizarem atenção em solo brasileiro, tem sido o mais novo “brinquedo” da mídia global: nós, por acaso ou destino, somos agora o centro; dantes periferia colonial da então gigantesca metrópole portuguesa.
As apostas estão sendo feitas, a rodo.
Esperar pensando o futuro, seria hora de dizermos ter havido enfim aterrissado por cá, por estas bandas insalubres esta “nave desgovernada”? Bom, o governo atual vê-se por cima. A estabilidade, quem diz-se mantida, é o grande propulsor das turbinas onde voamos entretidos com os reclames dos reality shows à toda hora.
De governados a governantes, o povo brasileiro tem razões para mostrar esperança? Inda que esta se veja maquiada, os moradores presenciando as trevas da intransigência quando dos projetos para a nação passam por educação, segurança e saúde?
Ninguém a nós dará de mão beijada o quanto queiramos, muito ou pouco. Mas sabemos que estamos sendo vigiados, a pergunta é: será a nossa hora de mostrar para o mundo do que somos capazes; ou, apenas seremos mais um rostinho bonito no horário nobre?
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
Por certo, ao reluzir o ano que chega, a mesma aurora sob quem às promessas se batizam nossas ações de para o ano, serve para jogar luz sobre as tendências dos políticos em fazerem-se objeto para as especulações, as quais já despontam nos clarins – efervescentes e promissoras.
Com o resultado do mensalão, a junta que uniu sob mesma bandeira a oposição, e as entidades de corpo social emergindo para polvilhar o meio com o trejeito de populares as divergências para com os poderosos; a retrospectiva de 2013 entoa seu cântico aos primeiros esvanecimentos de dezembro que entra.
Às contíguas manifestações que desde junho, feito um barril de pólvora, repaginaram nos jornais a ação de setores insatisfeitos da sociedade, devem perdurar – haja nunca cessarem por completo – apresentando a insatisfação popular emembrada com artífices politiqueiros, uma mistura, ao menos, inusitada de quem padecemos, ou como um mal menor, ou, por conseqüência dos desmandos da política.
Reverberar de como será o próximo ano, incluindo eleições e Copa do Mundo a rivalizarem atenção em solo brasileiro, tem sido o mais novo “brinquedo” da mídia global: nós, por acaso ou destino, somos agora o centro; dantes periferia colonial da então gigantesca metrópole portuguesa.
As apostas estão sendo feitas, a rodo.
Esperar pensando o futuro, seria hora de dizermos ter havido enfim aterrissado por cá, por estas bandas insalubres esta “nave desgovernada”? Bom, o governo atual vê-se por cima. A estabilidade, quem diz-se mantida, é o grande propulsor das turbinas onde voamos entretidos com os reclames dos reality shows à toda hora.
De governados a governantes, o povo brasileiro tem razões para mostrar esperança? Inda que esta se veja maquiada, os moradores presenciando as trevas da intransigência quando dos projetos para a nação passam por educação, segurança e saúde?
Ninguém a nós dará de mão beijada o quanto queiramos, muito ou pouco. Mas sabemos que estamos sendo vigiados, a pergunta é: será a nossa hora de mostrar para o mundo do que somos capazes; ou, apenas seremos mais um rostinho bonito no horário nobre?
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
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