sexta-feira, 30 de março de 2012

A Volta dos que não foram

Com o câncer de Lula curado – até onde a mídia nos permite saber -, fica à deriva sua representatividade. Agora, afirmando não marcar mais tantos compromissos, o que consistiria numa redução da agenda do ex-presidente, o seu poderio gera expectativas no meio onde entravam-se oposição e base aliada com a presidenta Dilma à frente, parecendo reger a orquestra da nova e emblemática política nacional.
Perder Lula por um tempo, se mostrou alguma cousa, foi que por tanto maior o gigante, maior a queda. E o Brasil sentiu. Este hiato provocou na vertente política nacional a certeza de que sem uma figura como a de Lula, amado pelo povo e difícil de ser deixado à parcas figurações de bastidores, a condução da nação, muita vez, ficou a ver navios.
Sua volta, como promessa de ressurreição do seu modo de gerir a máquina, ímpar e salutar, faz ressurgirem os relutantes que apostaram em sua decaída total. Mesmo como deve acontecer à nova composição nos quadros e cenários nos ditames, com uma presidenta que cobra pelo feito e não-feito, a volta do presidente deverá reacender a fagulha que outrora fez brilhar o país como a estrela símbolo de seu partido, o PT.
É esperar pra ver.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

quinta-feira, 29 de março de 2012

Água: direito à vida

O empenho de políticos da envergadura de Sergio Novais mostra-se cada vez mais necessário para um estabelecimento de um status quo referente à manutenção de políticas voltadas para o trabalho intensificado que tenha em vista a priorização da questão da água, recurso indispensável para a vida.
A batalha segue-se a um período demasiado prolongado para que os resultados ainda de pouca expressão não tenham atingido meta enquanto prioridade dos mandatos de todas as instâncias, legislativas, jurídicas ou executivas. O que temos observado é que por onde passa-se não encontra-se pauta em que não caiba a preocupação com este bem indispensável para a continuidade de nossa existência.
Sabe-se hoje já estar este recurso em falta em algumas localidades do mundo, as mais pobres e propicia-se assim um boom de epidemias de doenças decorrentes da escassez de água; as medidas a serem tomadas não tendo longo alcance, deixam a desejar e a cada dia protela-se mais e mais enquanto o devido era ir além do debate e passar ao estado de ação, onde órgãos públicos tomassem por responsabilidade a priorização da luta pela distribuição do meio para todo o contingente populacional do globo.
Não é uma luta fácil, é verdade. No entanto, estamos às vias de uma maior intensificação de aquisição de recursos e criação de órgãos para que tenhamos uma perspectiva melhor dos resultados a partir daí extraídos. O fato é que sem água não há vida; temer a falta deste bem natural é motivo de desorganização, no mínimo, no plano político.
Enquanto vemos nossos irmão afundados na miséria por não terem água limpa para o consumo sequer, vemos países abundando e abusando deste recurso tão importante; qual nunca foi tanto preciso uma conscientização planetária do problema. Visto desta forma, o quesito água deveria estar nos planos de qualquer resvalo de poder, tendo sua necessidade de distribuição atendida até nos confins mais distantes de suas fontes naturais, de onde partem para ser usada como é, das maneiras mais diversas possíveis, seja para beber; lavar ou mesmo, sua aplicação na agricultura de quem, desde que o mundo é mundo, se precisou para a produção dos alimentos.
O tempo urge. A ação direta e precisa é um mister. Antes que discuta-se outras pautas mais “adiáveis”, relegar a questão da água a primeiro plano é uma forma correta de se fazer o certo pelo resultado; algo que não tem com o que errar.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade federal do Ceará

quarta-feira, 28 de março de 2012

O Humor de Luto

Contando já com quase uma semana, a morte do humorista, Chico Anísio, hoje, soma-se à do chamado filósofo do humor, Millôr Fernandes.
Embora com características bem distintas – Chico era do humor da praça, mais próximo à realidade imediata do povão; enquanto Millôr carregava no pensamento a leveza de quem enxerga como ri – o vão deixado por esses dois abateu os brasileiros de forma abrupta, e, como já foi dito: é perda demais.
Chico Anísio, autor de inúmeros personagens que, desde o rádio até a era da internet, povoou o imaginário popular, deixa um legado de mestria e de alguém que soube conduzir a carreira de modo brilhante, sabendo do que era feito o feitio do nosso grande Brasil. Soube explorar as fraquezas do nosso homem cordial e escancarar as feridas dos mais diversificados estereótipos por ele criados e ampliados ao ridículo porquanto entrava a fazer e refazer seus papéis com a seriedade de quem vê na comédia não uma veia apenas de riso, mas também de crítica social e desapego.
Millôr Fernandes foi um mito. Escritor, dramaturgo, humorista e cartunista. Influenciou uma série de pensadores e intelectuais que, como ele, levavam à realidade uma boa dose de humor diária. Visto como um filósofo pelo que enxergava do mundo, conquistou cadeira cativa entre a casta intelectual do país, tendo capturado através das palavras a essência de um universo conceitual léxico criado por si, para estendê-lo a todos. Fez escola, era admirado nos mais diversos meios em que conviveu com outros escritores e foi considerado de ledo fino para com o seu tratamento com a volúpia do real.
Perder assim dois grandes nomes, e com uma proximidade tão próxima da morte de um para a do outro, é realmente um baque. O país encontra-se com vertigem, pois olha para estes dois como quem arrisca um olhar ao céu de nuvens tórridas que ao alto envolvem a claridade do sol. Talentos incomparáveis e pessoas simples que deixaram sua marca; insubstituíveis ao plano do humor, que hoje está de luto.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

terça-feira, 27 de março de 2012

Eleições 2012

O cenário deste ano está acirrado. As forças de coligações mostram-se valoradas, os grandes partidos representam a necessidade de uma continuação e a oposição ladra alto.
Deveremos assistir a uma disputa apertada, onde cada voto significará bastante. Talvez nunca hajamos visto um equilíbrio tão grande, e o povo parece mais atento para com seus eleitos. Cobram. Conferem se o prometido está sendo feito. Para o país, isso é bom; instâncias que duelam no prelo e candidatos sob vigilância pretendem eleições pra valer, lugar de ninguém.
A mudança enfim veio e de acordo com os patamares aos quais a política alcançou de uns tempos pra cá teremos mais do que exigir e possivelmente, com a luta pela eleição virão aspectos positivos que encarcerarão corrupção e lama em uma busca maior pela ética e a moral.
Assistiremos a tudo com a confiança de que os próximos eleitos façam um trabalho melhor daqueles que aí estão; para tanto é preciso olho vivo e consciência na hora do voto. Ainda assim a população brasileira parece ter amadurecido nestes últimos anos. Parece mais capaz de assumir a responsabilidade por quem porá no poder.
É o caso de observarmos; mais, participarmos do processo, relegando nosso direito para eleger uma casta mais honesta e capaz.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal

segunda-feira, 26 de março de 2012

A Vez das Mulheres

Durante a década de 60, os reclames da contracultura apontavam as lutas de minorias para que fossem reconhecidas com méritos de cidadania. Entre estes grupos marginais, encontravam-se as mulheres, que, com a insurgência do feminismo, reivindicavam direitos e posições igualitárias, haja vista, ainda estarem subjugadas a uma sociedade machista que lhes tolhia.
O tempo passou, a luta continuou e, com algumas vitórias, passo a passo, acabaram conseguindo respaldo e identidade. É claro, ainda existem direitos a serem conquistados, mas, também é verdade que, apesar de receberem menos que os homens enquanto assumem funções similares, principalmente no plano do trabalho, vemos hoje que elas têm sua força e poder como talvez nunca antes.
Situarei aqui as vitórias, que de alcance em alcance, formaram um grupo homogêneo, de mulheres e homens, onde anteriormente, só o sexo masculino dominava. Mitos caíram por terra, quando era o sexo feminino chamado sexo frágil, e hoje competem em pé de igualdade e mostram que os direitos conquistados não serão alvo fácil para uma visão retrógrada de que o homem é quem manda.
Conquanto na política veja-se ainda um número inferior delas em relação a eles, as conquistas neste meio são mais que evidentes; hoje contamos com uma mulher no mais alto posto do executivo, tendo Dilma como representante maior de nosso país, nome que se relembrada a época de lutas da contracultura, foi uma valente soldada. Reagiu contra a tortura e não entregou nenhum de seus aliados.
Há ainda muito a ser conquistado, e, mesmo assim está evidente que a luta pelo direito das mulheres não foi vã.
Enxergamos inclusive uma vigência de valores de aparente troca nas funções dentro das unidades de poder; a partir da família, onde agora homem cuida da casa e dos filhos e a mulher trabalha e sustenta; até nos cargos de importância, onde dentro dos ambientes profissionais mostram-se nos altos patamares e cargos executivos.
É natural, a partir do momento em que reatamos com um pensamento mais plural, aceitarmos o lugar das mulheres e sua vez na hora. Não é o caso de deixarmos, entretanto, de percebermos que foram elas que requisitaram sua posição atual, a qual ocupam e retém a responsabilidade por elas demandada. Também não é o caso de fecharmos os olhos e esperarmos que não precisem do apoio de seus maridos, irmãos, pais e companheiros; pelo contrário, devemos apóia-las no que vingaram, mais ainda, lutarmos ao lado delas pelo mesmo patamar, onde ninguém mande em ninguém, que haja o respeito e pondere-se as posições.
É a vez das mulheres. Esperemos que façam por merecer as suas conquistas e, a nós todos caiba a responsabilidade de conduzir as dilapidações e estados de homogeneização que conduzem hoje a sociedade.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

quinta-feira, 22 de março de 2012

A Crise

Em 2008, vivemos momentos de angústias e incertezas quando estourou a crise nos Estados Unidos, a este tempo, o então presidente da república, Luis Inácio Lula da Silva, resumiu a crise a uma “marolinha”, a qual não ricochetearia suas drásticas conseqüências aqui. Passamos realmente sem muitos problemas, mesmo que a oposição afirmasse que seríamos atingidos em cheio pela depravação monetária que correu o globo naquele ano.
Após a eleição de Obama, a América pôde assistir um presidente efervescente, que prometeu que cuidaria do país com as duas mãos na massa; não foi assim. Hoje Obama é criticado por suas medidas cautelosas e falta de ação direta nas vigências às quais os Estados Unidos estão à mercê. Mais uma vez, por aqui, as cousas andavam até bem: a economia crescia, a inflação parecia sob controle e as taxas de câmbio ficaram relativamente constantes, sem balanço de enfraquecimento ou fortalecimento exagerado da moeda estrangeira com relação ao nosso real.
Hoje, vivemos a era Dilma. O cenário da atual crise é a Europa. Surgem movimentos de todos os moldes e naturezas contra os banqueiros e a ajuda enviada aos países onde a crise foi mais intensa – e que achava-se que iam dar o calote – parte de países com grandes dimensões econômicas, como os americanos e ingleses, além dos alemães, e até dos brasileiros. Apenas a China parece que não tem interesse nenhum com o problema, reivindicando que o ocidente criou seus próprios problemas e que devam eles mesmos resolvê-los.
O que acontece?
Em pleno 2012, os países europeus passam por calamidades catastróficas; o povo vai às ruas e o Estado não tem o controle da situação, os países estão com as contas no vermelho e todos atinam que as cousas devem ainda piorar para aquelas bandas. Com o continente antigo afundado em dívidas, a ajuda financiada que parte de quem produz mais e consome mais arrebata um desequilíbrio entre as forças de mercado que é sentida inclusive no Brasil, ainda que em plena consciência de que cá onde estamos, e, se não devemos muito nos preocupar com as abomináveis manobras para salvar da depressão países como a Grécia, Espanha e Portugal; achar que isto não chegará a nós, que estamos incólumes perante a situação, é ser ingênuo.
Assim, Dilma tenta controlar os ânimos, e, a população assiste todos os dias às diversas manifestações populares que cobrem o mundo inteiro, gente que sabe da sua situação depender – além de forças do Estado e do mercado – de sua mobilização por uma luta em que não sejam comprometidas suas vidas profissionais e como cidadãos. Seja assim, o povo está na rua, enraivecido; acampando em frente à Wall Street e encarando de frente os banqueiros que querem o dinheiro circulando em seu pequeno círculo, enquanto a situação não esfria, ainda veremos muita vez uma massa insatisfeita e decidida a brigar nas ruas por exigência do que é-lhes de direito.

Pedro Costa

quarta-feira, 21 de março de 2012

Luizianne: oito anos após a grande virada

Quando, há oito anos atrás, despontou no cenário político uma mulher candidata a prefeita, ninguém punha muita fé que conseguisse vencer no pleito, mas aconteceu o inesperado, saindo de uma média de 3 (três) pontos percentuais, a então quase desconhecida Luizianne Lins, pelo Partido dos Trabalhadores, alcançou o êxito maior vencendo as eleições para prefeitura de Fortaleza.
Passados agora tantos momentos, de intempéries a festivos encontros, de exoterismo-marxista à construtora da Fortaleza Bela, a então prefeita encontra-se em estado de liderança mais que nunca, deixando aos seus eleitores uma cidade, que, de acordo com ela mesma, é totalmente diferente do que era quando subiu ao mais alto cargo; de prefeiturável à líder do executivo; de anônima para digna de reconhecimento, e de esperança para realidade.
Soube conduzir sua política apesar dos constantes ataques da imprensa ao seu mandato. Discerniu sobre o que é o poder e aquilo que significa tê-lo em mãos, realizou um trabalho constante e fiscalizou durante esse tempo todo tudo sob sua administração. Além disso, mostrou não ter vindo apenas para fazer papel da “boa moça” e enfrentou de frente as dificuldades surgidas mantendo sob sua égide as responsabilidades ditas de alguém esforçada e respeitosa aos adversários políticos; estes surgiram aos montes e as críticas não foram poucas, entretanto Luizianne fez muito bem sua manobra enquanto governante, entregando agora ao seu sucessor em 2012, a cidade em estado de superávit econômico mais que de déficit; ao que tange o seu consentimento.
Em saber controlar as tribulações do poder, teve êxito na maioria de suas ações em prol dos fortalezenses, fez reformas como as da Beira Mar, evitou a descaracterização do Centro de Cultura Dragão do Mar, efetivou a entrega do CUCA – Che Guevara, sem falar das obras de infra-estrutura intensificadas agora que seu período de governante chega ao fim em sem deixar enormes buracos nos setores financeiros como alguns de seus antecessores deixaram, um rombo nas contas.
Agora, Luizianne Lins está às vésperas de uma eleição em que sua força apresenta-se como revigorada por tantos embates, seu discurso – sempre o mesmo desde o primeiro mandato – denuncia uma formação boa de civilidade e caráter, o que deve ter aprendido nos anos como professora na Universidade Federal do Ceará; a sua voz é ouvida e respeitada, ninguém nega ter ela sabido fazer as alianças certas e no atual momento político, poder assistir e participar, como vem participando, ativamente na evolução do modo de fazer política.
Se, a pessoa de Lins foi alguma vez confrontada, não houve motivo para não dar a volta por cima e mostrar as garras, característica de quem sabe a hora de guerrear e, também, de suavizar enquanto as cousas andam a perigo. Destinada a cumprir oito anos no poder, mostrou a garra da mulher quando é convocada à responsabilidade, e, talvez será o dia de sentirmos saudades de uma cidadã que, se não com uma aprovação total das pessoas, conseguiu erguer a patamares respeitáveis os políticos deste país, sem tramóias ou favorecimentos, ou seja, Luizianne, foi uma igualitária.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

terça-feira, 20 de março de 2012

O Mito do Subdesenvolvimento

Não é sem alarde que observamos ainda neste início de século uma transformação nas desenvolturas políticas e econômicas de países, que, ao longo de tantos anos, foram tratados como subdesenvolvidos, mas que agora apontam sob novas etimologias como insurgentes ou “em desenvolvimento”.
Na contrapartida, as crises na Europa, EUA e nos Tigres Asiáticos, nos reaparecem como um pesadelo recorrente, estando estampadas as evidências do desastre capital ocorrido nas folhas dos jornais todos os dias. Estas crises, em si, pareceram pouco abalar o Brasil, ou pelo menos foi assim que nosso maior representante político, defendido em todo o mundo, pôde ressaltar enquanto estava no poder, o nosso Lula. Mas, é fato consumado de estarem estas turbulências, refletindo por todo o globo suas mais desastrosas conseqüências, afetando o Sul e o Norte; Oriente e Ocidente.
Há alguns anos falava-se no mito do subdesenvolvimento, sob o qual, países de estatura como o nosso nunca poderiam avaliar-se como desenvolvidos, já que, para os padrões malthusianos populacionais, se todos os países do mundo houvessem de consumir como os americanos o faziam nesta época, e ainda o fazem, os recursos humanos e naturais não seriam suficientes para dar conta de tal mercado.
Visto isso, o que explica então, hoje, estarmos despontando como a sexta economia no planeta e em vias de um alavancado desenvolvimentismo do qual padecem os outrora mais poderosos?-; é claro, os Estados Unidos ainda pertencem ao padrão AAA de qualidade, ou seja, têm as melhores universidades, a melhor saúde e os melhores economistas (dos políticos, há controvérsias); e, a China que desmunda o desenvolvimento apontando como nova líder mundial em potência, surge demonstrando que os cálculos antigos estavam errados.
As mudanças acontecidas apenas neste último decênio foram tamanhas que ousaria interpor as relações entre a massa e os detentores dos meios produtivos como uma verdadeira revolução, é para tal que o povo está nas ruas, e que digladiam e morrem todos os dias milhares de vítimas deste sistema capitalista falido. Falar então em mito do subdesenvolvimento seria agora uma prática no mínimo reacionária; retrógrada.
Para os BRIC, o momento é deveras de importância e capital, com o perdão do trocadilho, mas a evolução econômico-política destes países depende sobretudo do que nossos líderes estariam dispostos a fazer nesta involução do capital de Estado e remarcação da política democrática em certos pontos, ainda que em poucos: ditaduras caíram e ainda parece que vão cair; os elementos do poder estão aí, como bolas no ar para quem quiser fazer uso (ou abuso) deles e mais que nunca as massas tiveram tamanha oportunidade para fazerem-se valer e serem ouvidas pelos poderosos donos do nosso planeta.
A ojeriza que causa a população revoltosa aos grandes líderes políticos é hoje evidente, clara feito água - que por sinal, está em falta também -, e todos os dias somos bombardeados com notícias de que a África ao lugar de muito o que já foram como berço da nação os africanos, agora morre de fome, sede e AIDS; mas quem é o responsável por tanto? Acredito que, já que nossos homens do poder não tomam a iniciativa, e, mesmo por meios supostamente duvidosos – como através da arte mesma por exemplo – o populacho ( no bom sentido ) encontrou um meio de expor sua voz e vez: já que ninguém quer o problema para si, cabe a nós mesmos achar sua solução. E tem dado certo.

Pedro Costa

sexta-feira, 16 de março de 2012

PT e PSB

Tem algumas semanas que nos trâmites da política estadual e municipal do Estado do Ceará vive um imbróglio ainda não desenrolado e que provavelmente terá grande importância na eleição que vem aí ainda este ano.
O caso dá-se quanto à aliança entre o partido da prefeita Luizianne Lins, o PT e o do governador, Cid Gomes, o PSB. Cid tem em vias o lançamento de candidatura própria ao paço municipal em detrimento de manter relações amistosas com Luizianne. Esta requer que se não houver aliança, lançará também candidatura própria, a saber, do então senador pelo PT da república, José Pimentel.
Acontece que, na suplência direta de Pimentel ocupa cargo o desafeto de Cid, Sergio Novais, destituído pelo governador de seu lugar dentro da direção regional do PSB, ou seja, se não houver aliança, e Pimentel, lançado candidato e vencendo, Novais ocupa cargo no Senado, o que é de grande relevância para a política de comando que seu partido, o PSB vem empreendendo através de sua ala histórica, da qual Sergio faz parte, junto com o presidente do partido, o governador de Pernambuco e neto de Miguel Arraes, Eduardo Campos.
Ao que se sabe, Campos estaria mais ligado aos Novais, e daria confiança mais a eles do que ao clã dos Ferreira Gomes, do qual também fazem parte Ivo, secretário de Cid e Ciro Gomes, ainda a sonhar com uma possível candidatura e – ainda que pouco acreditada no momento político em vista – vitória para o cargo maior do executivo nacional em 2014.
Enquanto isso, vive-se este impasse na ala regional, não sabendo-se muito bem ao certo que virá por aí. Se a aliança for aceita por Cid, o candidato poderá sair de uma parceria PT-PSB; mas se não, o candidato da prefeita provavelmente será mesmo José Pimentel e o PSB histórico com certeza fará das tripas coração para elegê-lo, quadro que fincará um dos principais nomes deste partido entre os grandes do Senado brasileiro.
Nos bastidores ainda há a provável candidatura do PDT de Heitor Férrer, candidato dado como uma pessoa séria e comprometida com as necessidades da população; ainda Artur Bruno, pelo PT, que quer correr por conta própria e os nomes de Inácio Arruda, do PC do B e o possível João Alfredo, do PSol.
Para edis, aparece-nos um quadro interessante quanto à disputa, que será acirrada para compor a maior casta na Casa do Povo da Câmara de Fortaleza; é claro, todos os partidos concorrerão para gerar essa maioria, o que lhes delegaria maior poder de decisão; e, talvez seja aí que more o quê da questão, um tanto longe do poder principal do município fortalezense, dos que cumprirem cargo na Câmara poderão surgir como base de apoio substancial para o comando da cidade, o que daria ao futuro prefeito mais poder.
Então, que seja uma eleição boa para servir de análise e base de como andam as estruturas governamentais em Fortaleza, onde veremos quem é quem, os honestos deverão superar a corrupção - mesmo que essa seja uma visão otimista – e deveremos assistir a uma disputa e ver-se se, ainda com tamanhos problemas a serem enfrentados e vencidos, estamos realmente preparados para o novo cenário político que resvala desta nova era vivida por todos nós, brasileiros.
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

quinta-feira, 15 de março de 2012

Primavera Árabe

A emancipação de uma classe de trabalhadores que teve seus direitos restritos pelo capitalismo de Estado. Insurgentes dos movimentos libertários que acompanharam a história nos últimos vinte e cinco anos. A ganância e soberba dos poderosos em uma busca desenfreada por petróleo. São alguns dos fatores que rechaçam a idéia de que milhares de civis devem morrer para que o povo seja liberto. Isso é uma procissão de temerários, algo fora do limite da razão, não peço que entendam o que dá-se no sudeste asiático, norte africano ou sul europeu – como queiram -, pois o movimento batizado como “Primavera Árabe”, não é menos do que um crime contra toda a humanidade, como o foram as duas últimas grandes guerras e as diversas emanações de lutas por poderes encontradas nas páginas perdidas do passado. Não podemos, entretanto, culpar a população por lutar por seus direitos à liberdade e às desamarras de uma ditadura qualquer que for que exista, de estar sob poder de tiranos, muitos se foram e ainda hão de ir-se, o que pouco conhecemos é o fato em que moram escondidos uma guerra de valores antiqüíssimos e uma sumária vontade de libertação sob a égide de uma massa guerreira; mas este é apenas um ponto.
Se por hora voltarmos nossos olhares para o que está acontecendo na região onde se passam atos desconformes ao terrorismo e a uma luta entre os “bons” do Ocidente e o “maus” do Oriente, não estaremos por um acaso assistindo a um episódio que repetiu-se já por dezenas de centenas de vezes sob os olhos estarrecidos da civilização em seu contínuo processo civilizatório? É lógico que sim. O fator da história de repetir-se sob atos atrozes e fatores heróicos é quase uma constante que, se vista como a busca insana por poder, deve ser em contrapartida avaliada e ponderada para que justo não aconteça de novo; mas a ambição do Homem chega a desvelos imperdoáveis e gera a repetição de erros já cometidos e conhecidos do nosso passado. Apelo aqui para que entendamos os motivos pelos quais se ergue à clava da luta em um regime onde os direitos populares são cassados pelas classes dominantes. Sim, o povo tem o direito de estar no poder; é assim que deve ser e assim que é; perdoem-me a ingenuidade de acreditar que em meio a tamanho banho de sangue, está o nosso mundo vivendo, finalmente um momento positivo para as massas e a população em geral, que, liberta e em chamas reage a confrontação e intimidação de Estados ditatoriais, com força do próprio punho! É assim que vejo a eclosão das manifestações que hoje ocorrem ao redor do globo, com afincadas notícias reveladoras, finalmente, de que, talvez pela primeira vez em todos os tempos, estaremos a ver o real progresso a que tanto pregou-se no passar dos anos; esta visão pode ser mesmo uma entonação dos primeiros passos dados no Egito quando seu governo foi destituído por massas populares recentemente e, que o mesmo aconteça nos outros países onde o poder estatal englobava toda a vontade das pessoas; salvo, é claro, algumas raras exceções.
Aquilo que noticia-se todos os dias por televisão, internet; enfim, meios de comunicação em geral, nada mais é do que uma explosão popular de onde renasce das cinzas a vontade de erguer-se uma rebelião democrática com poder de enfim restabelecer-se nos ditames das elites derrocadas, havendo assim uma inversão nos papéis. As conseqüências desses atos – a princípio desgovernados e caóticos – resvalam por todo o globo em patamares antes nunca atingidos; vemos na América as movimentações contra o abuso de capital, e, as frentes populares a exigir do governo mais atenção para si; a retirada, pelo então presidente americano, Obama, de soldados que vão para a guerra e lá perdem-se em motivos de não haver mesmo retaliação mais a se fazer, pois lá, onde estão, agora é que a inversão das polaridades atinge seus extremos; e, ainda veremos respaldos das ações globais a influenciar a popularidade da presidenta brasileira, Dilma Roussef; então o que dizer, se, as forças de emancipação ganham cada vez mais força, em detrimento de mortos, não há como mentir, de derramamento de sangue inocente, também o que falo deve ser ponderado, e, que fique bem claro; estar do outro lado, em oposição direta com os grandes poderosos do mundo não é cousa fácil, mas tarefa, sim, para estes heróis, emergidos da massa e que deram suas vidas para a reelaboração do novo quadro de distribuição de poderes o qual nos vemos a aprová-lo, em casos, ou reprová-lo, em outros. Toda a guerra implica em mortos, e a morte de uma única pessoa que seja já é justificativa para que não haja guerra nenhuma, no entanto, a indústria bélica insiste em patrocinar guerras para que possa mover o capital a seu favor, os banqueiros continuam a aumentar taxas de consumo e juros e os governantes tão somente esquecem que foi a população de seus países que os colocou no poder, e isso, nos países onde “existe” democracia.
Todo este imbróglio é concernente a nós, como é-nos importante o próprio oxigênio para os pulmões; não sejamos a favor da guerra, mas lutemos com as armas que mais às mãos nos estejam para ajudar aqueles que estão dando a vida pela nossa liberdade, olhemos com misericórdia para os famintos que vivem na escassez de água pelo mundo inteiro. Sejamos sensíveis às mudanças e também não fechemos os olhos, a iniciativa deve partir de nós mesmos, pois ninguém o fará pelas nossas vias, e se o fizerem será com o intuito de nos corromperem. Respeitemos o que fazem estes heróis que deram seu sangue numa destemida luta de classes e ajudemo-nos quando a injustiça parece suceder sobre o bom senso e acima de tudo devemos agir; conquistar como conquistaram os grandes pacificadores vindos antes de nós, miremo-nos nestes exemplos e, armas a punho, mesmo que estas sejam meras palavras, para reatarmo-nos enquanto unidade. Só assim venceremos.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

O Legado de Lula

Não é porque estamos vivendo um momento em que a líder da nação tem altos níveis de popularidade que devamos esquecer as águas passadas por baixo desta ponte. E se Dilma conquistou tais patamares de aprovação no seu governo, é olhando para trás que vivenciamos a emblemática participação do protagonista da política brasileira dos últimos anos, Luís Inácio Lula da Silva, o nosso Lula, que, ainda com os desmandos de alto-escalões de sua governança popular acima de tudo, onde foram denúncias casos de corrupção de ministros e internos, foi um chefe que soube preparar o terreno para seus sucessores.
Se é verdade que a herança governista da passagem de uma plêiade a outra de eleitoreiros influi diretamente no mandato seguinte, é que vemos de Dilma os esforços para manter a “limpeza da casa” com medidas de proteção contra os corruptos, não é à toa que caíram já tantos, metidos em maracutaias, e ainda estejam a cair. Com um bom plano governista, Lula, além de preparar as bases para sua sucessora, arrumou a casa e deixou de bom grado o poder para, dos bastidores, observar; incidindo somente quando seu nome era lembrado enquanto suas origens no movimento sindical, do qual nunca apartou-se por completo, e, agindo apenas quando sua força política era requerida, não no sentido de impor-se e sim no de colocar-se à serviço da nação.
Os diversos programas lançados enquanto era presidente, Lula mostrou um discernimento difícil de se ver nos políticos da atualidade. Com clareza e objetividade criou possibilidades para que pudéssemos ver um avanço na classe média deste país, junto com uma redistribuição de riquezas que possibilitou a diminuição das desigualdades sociais e mesmo, ao compactuar com o MST, reviver uma pauta de sempre prorrogada por nossos líderes, a saber, a da reforma agrária, a qual hoje é prioridade de Dilma conquanto expõe-se na mídia a expor as dificuldades para tal, apenas redescobrindo meios para edificar no seio do povo do campo uma esperança a muito perdida, sem falar de que Lula falou acertadamente em educação, lançando as raízes para futuros empreendimentos na área.
Que me perdoem os oposicionistas, mas estaremos vendo em pouco tempo aquilo do legado de Lula por muito por eles camuflado.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

segunda-feira, 12 de março de 2012

Geração Perdida

Aponta-se hoje, segundo os reclames do pessoal mais velho, ou seja, os remanescentes de 68, uma década de lutas por liberdades individuais e de lutas contra o preconceito, uma diferenciação de nossa geração, a do pessoal dos trinta anos hoje, que beira um abismo de caráter e delineação pessoal.
Aparentemente, somos nós, adultos de hoje, pessoas bem diferentes do que foram os adultos daquela geração outra, onde lutar por seus direitos era quase uma constante em todas as áreas. Eram, com certeza mais unidos, e, de quebra tinham em mente o que queriam para si e para o próximo. Fator esse que não vem a resvalar sequer entre os sonhos de nossos mais novos “grown-ups”.
O que vemos hoje, é uma geração, fruto dos anos oitenta, que não enxerga-se de maneira individual, mas como um coletivo de desinformados e destemperados em gosto e valores. Somos uma casta libertina, das visões distorcidas de mundo e de uma vontade sem objetivo apenas deixada a esmo e numa inércia a levar nossos descendentes da outra geração a um conclave de irrefreados esnobes, que acham seu direito abrir caminho com uso de força e vislumbram uma estética em que a velhice não tem lugar, existindo assim através de desforras e fanfarronices sem tamanho e finalidade.
Escuta-se dos nossos jovens a esperança de que sejam diferentes do que hoje o somos; que saibam crescer sem pôr em vista as desilusões pelas quais passamos e saibam reter seu mundo com mais equilíbrio e humanidade; mas, ao que vejo, nem mesmo estamos nós preparados para, como pais, educarmos as próximas gerações, haja vista o despreparo legado de um pessoal – muito generoso, diga-se de passagem -; tendo experimentado para chegar onde chegaram, muito do diverso e confuso do qual bebemos sem saber bem no que ia dar.
Na vertente deste mundo louco, vamos caminhando e procurando chão onde há areia movediça, tentamos criar nossos filhos como nossos pais nos criaram; ainda sabendo estarmos diante de crianças diferentes do que fomos, e acima de tudo, procuramos salvarmo-nos de preconceitos e intolerância, comuns nas diversas classes, do pobre ao rico, sem diferenciação e, por fim, não condenarmos nosso futuro a uma maré de azar por nós mesmos criada com inconseqüências, mentiras e corrupção.
Daí, conclui-se dos que – jovens – se foram antes do tempo, que não foram em vão, mas tentaram na completa desrazão achar aquilo por muito procurado, uma paz da qual não requeremos mais da ciência de um estado de cousas melhor e mais conveniente para poder-se viver com alguma tranqüilidade. Estes, nossos pobres trágicos, vislumbraram como no vôo de Ícaro a luz de uma iluminação, mas como reza a lenda, não voltaram vivos para contar-nos do que viram. É realmente uma pena.
E ainda, estamos a viver neste riscos, e, se não aprendemos nada com nossos próximos, perdidos no tempo desta geração perdida, estamos no círculo de fogo do qual apenas escapam, aqueles que sabem dosar força com astúcia, não sendo arrogantes para falar que a verdade sua (muitas vezes algo devido a formação pessoal de cada um) seja a verdade universal, assim não conquista-se; isola-se. E tornar aos valores mais constantes e moderados, onde seja possível a vida através do equilíbrio de forças.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

quinta-feira, 8 de março de 2012

Uma Singela Visão sobre a Internet

Tenho visto, como numa disputa entre os mais oposicionistas ao sistema e os mais cautelosos em desferir farpas contra o mesmo, uma embarreiração do pensamento humano. A que chamo isso? Ao emblema problemático de que surgem especulações – tanto de um lado como de outro – em relação ao aproveitamento ou não (sejam em quaisquer âmbitos) da tecnologia da informação; alguns dizem da internet ser um meio democrático e seguro de proliferação de artes e ideias, algo mais ou menos por cima comentado pelo então filósofo francês Pierre Lévy, considerado por si mesmo um otimista quando o assunto é a grande rede; outros expõem suas maleficiências presentes em hiatos informativos os quais costumam delegar, de acordo como o põem estes tantos, a uma constante vigilância da organização internáutica na rede mundial de computadores.
Eu, posiciono-me cá, não em posição de um ou de outros, mas tenho alguns pontos que acho serem relevantes, por serem ditos: um deles é a quantidade de informação inútil que circula na Internet. Pego-me escandalizado com o imenso número de e-mails que recebo relegando a mim o legado de uma sociedade onde a religião mesma é a constante universal, e com isto refiro-me às mensagens de auto-ajuda que simplesmente abundam na Internet como uma praga sem fim; gostaria aqui de deixar bem claro minha posição de ateu nisso tudo, pois, é claro, há pessoas que muito se aprazem de tais mensagens e inclusive são as maiores responsáveis por sua proliferação na internet. Esse é um ponto. Outro é que também não podemos dizer com certeza, e que fique bem visto esta questão, que estejamos o tempo inteiro sendo vigiados em nossa navegação diária, muita vez inofensiva; ingenuidade minha? Talvez. Entretanto não cabe a mim julgar o tipo de influência que disseminadores do mêdo entrepõem entre mim a meus atributos diários de modos e idiossincrasias de um pensamento muito meu; portanto, não acho que há esta tal preponderância de um sistema mau a vigiar cada passo nosso no meio eletrônico de disseminação da informação. Então, dois pesos, uma medida.
Este novo veículo que chama-se internet, como tudo na vida, tem seu lado bom e seu lado ruim: ao mesmo tempo em que nos invitamos a entrar num meio onde a circulação de informações pode beneficiar, através de seu acesso rápido e fácil, a humanidade como um todo (e nem digo aqui apenas pelo lado culto que a Internet nos propõe, como visitar museus e ler livros através dos programas criados com este fim), pondo um ponto final na questão de que poder é informação e que, se todos tiverem acesso a tal, teremos um universo mais igualitário. Contrapondo-me, vejo também a veiculação de um tipo de “solidão” que dificulta cada vez mais o relacionamento interpessoal ao vivo. Ou seja, as pessoas, cada vez mais, renegam-se à interlocução entre si para comunicarem-se via rede; acontecendo principalmente em relação aos jovens, que hoje vêm no dispositivo tecnológico a saída para um possível isolamento perpassado durante anos por uma psicologia social de distanciamento que pratica-se hoje em abundância.
Ler na Internet, visitar lugares sem sair de frente da tela do computador, enviar e receber correspondência, ter acesso às mais diversas formas de arte: isso também é Internet, em uma palavra, a informação desvinculada de um centro, até o ponto em que não haja a vigilância que descrevi acima como possível mas remota, em minha humilde opinião. Pois no universo das possibilidades, a imaginação pode conceber um mundo o qual não corresponde à realidade, e é por esse motivo primeiro que interponho cá estas observações. Então, é-de ver-se um Estado forte, como o que vivemos hoje, o Estado do capital, a girar como um aparelho exterior ao movimento volúvel informático que é transmitido todos os dias a cada hora, minuto e segundo pela World Wide Web. Quem lê jornais de papel, muito bem o sabem, pois quanto à informação consistente de via “manufatureira”, esta apresenta-se de certo modo mais duradoura e concreta do que qualquer valor de informação adicionado a um link da rede. Esta volubilidade do conteúdo, fez e faz da internet, não um terreno sem dono, mas um espaço cibernético do qual o seu bom ou mau uso fará toda a diferença no frigir dos ovos.
Toda a atenção para a Internet é necessária, o mundo, querendo ou não, volta seus olhares mais diversos para o desenvolvimento deste meio que, como já foi dito, ainda engatinha em relação ao seu potencial completo. Haverão de surgir ainda novas formas de comunicação; novos meios de estabelecer-se contato e outras vertentes das quais serão colhidos os frutos. É o que o momento atual requer, é do que precisamos. Não de uma laia de um lado a proliferar que estamos sob a égide de um sistema caótico onde a revolução do mal sempre vencerá – cousa mui hollywoodiana, entrevias – ou de outro lado, um bando de bovinos adentrando ao sistema, que por demais existe e é real, e comendo um pasto sem preocupar-se com serem pensantes e livrarem-se, com a desculpa do termo antiqüíssimo, da alienação. Que, se um dia os meios de produção tornarem-se efetivamente – como vem acontecendo – em todo este veículo de informação; então teremos aí que revermos os nossos conceitos e inventarmos novas formas de pensamento. Que é por aí onde mora toda a forma de organização da sociedade. Sendo assim, a continuidade evolucionista, em termos práticos e informacionais, não deve acabar com um derrotismo perante a grande rede, mas como uma visão de que, a partir daqui, ainda teremos muito o que evoluir, científicamente e como humanidade mesmo. Se esperarmos o fim dos meios de comunicação, o engano será nosso rival, pois estamos pisando, depois de muito tempo, num terreno do possível deslocamento das humanidades para erigir-se uma revolução, talvez a quinta, já que vivemos outras quatro, e da qual remanescerão quem mais for adaptável a tudo isso.
Encerro aqui, apenas relembrando, não é momento de derrotismo, mas sim de conquistas para nós seres humanos engajados em trabalho e querer. Enxerguemos com a mente que o futuro da Internet passa por nossa vontade, e, se esforçarmo-nos para a bem a fazer, poderemos ter uma surpresa, não digo positiva ou negativa, mas de uma ordem diferente, e, para todos nós.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
08 de março de 2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

Uma História de Guerras

Em mais um dia de árduo trabalho na assessoria da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, enxergo-me em mais um final de expediente, ao por os olhos em um e-mail que foi-me mandado já pelo período da noite. O título da mensagem era: 100 Years in 10 Minutes (1911 - 2011 in 10 Minutes); a qual logo chamou-me atenção e, despreocupado abri o seu conteúdo: não, não era um vírus ou uma pegadinha ou mesmo uma artimanha hacker. Linkado para o You Tube, pude assistir em estado de pasmo, que, no final das contas, os 100 anos vividos nos dez minutos do dito áudio-visual, tratavam, se não tão-somente, quase completamente das guerras ocorridas em espaço-tempo globais; vi-me preso a umas poucas evidênia de paz, como imagens de Ghandi e Einstein, mas, por demais passaram-se bem diante de meus olhos, todas as atrocidades cofiadas pela humanidade nestes anos todos.
Passou-se-me das revoluções industriais do início do século vinte, o que, por si só, não consta como atrocidade, mas que apenas revela uma preocupação relativa ao desenvolvimentisto progressista próprio da escola positivista, onde a ciência feita como base edificou todo a intuição teórica de produção de conhecimetno, e não com uma prática ativista de conquista pelas humanidades, artes em geral e epla política de paz. No entanto, ao geral, assisti mortificado aos mandos das duas grandes guerras, da subida dos fascistas ao poder ao ápice e derrocada de Hitler; do poderio bélico americano, grande potência do século ao martírio de jovens na inexplicável guerra do vietnã; das passagens pelos massacres soviéticos enquanto sob ditadura de Stalin; do desenvolvimento e experimento em humanos, das bomba atômicas – primeiramente em Hiroshima e Nagasaki – e da bomba de hidrogênio, sendo um verdadeiro passeio por atrocidades toda a relevência que pode-se ser conferida ao vídeo. Lembrei-me de memória dos estudos atuais sobre “A política do Mêdo” estudada pelos mais lúcidos intelectuais como Eduardo Galeno e Mia Couto e, o aparente inofensivo quadro exposto a mim através da rede (como tantas outras vertentes internáuticas) mais pareceram-me como um aviso para quem quiser se aventurar pelas páginas da História de que encontrará muito do que desgostar-se que uma simples redução ao formato cinematográfico de uma realidade senil. Claro, pode ser que seja apenas uma intuição minha sem valor de fundamento, mesmo assim deveríamos sempre atentarmo-nos para as dicotomias existentes por detrás de maquinações efervescentes que se nos pautam sob os olhos.
Como não há por onde fugir, a pessoa, diante deste tipo de informação, passa a internalizá-la e confundi-la com o habitual e casual do dia-a-dia, sem ter tido uma reflexão quiçá mais profunda a esse respeito. É daí, então, que nasce o meu motivo de preocupar-me com este tipo de conteúdo, vinculado principalmente à grande rede, e disseminado viralmente. Cabe, sim, a nós; e, é também de nossa preocupação, estarmos atentos para o que nos dizem, ainda que seja verdade muita vez as passagens as quais passeamos nosso olhar serem inverdade, também em outras ocasiões, até onde não é isto uma ferramenta para a propagação do mêdo de forma incutida em nossas vidas? Cabe o pensamento, o cuidado e o respeito com tais dicotomias – respeito para que não passem batidas – e a audácia nossa de, todas as vezes que nos sintamos ameaçados, agirmos de alguma forma.

Pedro Barreto Costa
Publicitário pela UFC