quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Educação pra Quê!

Foi durante uma sessão de comemoração do dia do servidor. Eles foram chegando, fazendo número e amontoando-se pelos cantos do plenário 13 de maio. Os protocolos iam tomados pelo brio característico com quem insuflam-se os homenageados, alguns dali a nem sequer terem o conhecimento dos quantos estavam envolvidos no evento, mas vindos de outras praças – das ruas, das agremiações, do povo.

Parte disso havia sido planejada. Parte não, uma surpresa.
O fato foi o seguinte: admirados com sua própria maioria, os manifestantes oriundos do universo estadual, professores, estudantes e servidores, enxergaram naquele momento o instante ideal para por em prática os reclames de desprezo por quem passa a universidade, no interior e na capital. Na hora mesmo, fincaram pé. Não sairiam dali sem fossem atendidas suas demandas; entre as mais fortuitas a abertura de diálogo com o governo do estado. Por força de sua presença, os deputados, Eliane Novais, Tim Gomes e Raquel Marques pairavam um tanto atônitos ao desencadeamento dos acontecimentos naquela quarta-feira cinza de final de novembro. As conversações foram iniciadas ali mesmo, com os agora ocupantes sentados em rodas, suas lideranças e a unidade inconformada com o tratamento que é lançado aos imperativos basilares da educação. Após alguma negociação, movem-se para o lado de fora do plenário, entretanto, dali não arredando pé. Como era de se esperar, o policiamento não tarda. Cerca-os. Ninguém entra, ninguém sai.

Hoje, faz exatamente uma semana. Perambulando aqui, os mesmos autores; as mesmas caras. Eles não desistiram. Trabalha-se por ordem indireta deles, pautam nossa agenda e cobram mais conversa pois que mora aí – acreditam piamente – a única esperança de se chegar ao governo, com muita razão. Os líderes são incansáveis; a militância engorda seu número. Agentes cercam os certames da Assembleia, trazem pão, água, roupas para finquem pé ali, não movam-se, insistam enquanto agüentar o limite do corpo.

As negociações, bradadas em questão de ordem, estão ainda liquefeitas haja vista nenhum representante direto do governo haver tido a paciência (ou a boa vontade) de aparecer. Carecem de coragem, parece. Ou é descaso mesmo. O estouro da boiada pode ainda estar por vir se não forem atendidas as reivindicações. Porque alguns disseram, a luta continua e, com uma data expedida de junho do corrente ano, as ações em favor da democracia não cessaram. Esta não é apenas mais uma. Eles vieram pra ficar.

Pedro Costa

Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

Nenhum comentário:

Postar um comentário