Neste carnaval, chegou ao meu conhecimento um fato que causou-me a mais profunda indignação, uma réstia de delinqüentes ainda estuporados pelas rédias do preconceito, espancaram um rapaz por sua condição humana de homossexual. À princípio, poderia-se pensar tratar-se de mais um crime comum, no entanto as evidências mostraram que, além de um ato de pura covardia, o intuito era o de punir alguém por sua opção sexual.
O que torna no fato mais triste é que, mesmo após tantas conquistas no terreno da humanidade, relações e considerações sobre os direitos humanos, isso vem a nos provar muitas dessas concatenações existirem apenas no plano teórico. Não é-nos mais permitido sequer não nos indignarmos com uma situação em que a violência gratuita imbuída de racismo prevaleça perante os ideais de uma sociedade que – sim, podia – poderia ser mais igualitária, e se um cidadão digno que trabalha e paga impostos não pode ter a perspectiva de uma vida, no mínimo, sem ter de preocupar-se – e aqui falo por todos – em ser martirizado por suas escolhas pessoais, a quem deveremos remeter para que tenhamos a dignidade de liberdade onde possa-se escolher o próprio caminho a ser trilhado?
O caso desse rapaz, que, por sinal, quando foi socorrido por um casal que passava no momento do ocorrido, acabou por desmaiar, não é, infelizmente, o único que nos chega como notícia. Além da reflexão, os atos devem falar mais que o simples pensamento a respeito ou mero comentário do escritório de trabalho, é preciso que tenhamos a coragem de por a boca no mundo, implementarmos e insistirmos que podemos e seria o normal termos um mundo onde respeitam-se as diferenças.
Tanto nos salta aos olhos que estes incólumes assassinos estejam espalhados pelo mundo fazendo maldade a torto e a direito que depende de nós expressarmos nossa raiva e inquietação perante tamanha atrocidade, assim, estas ocorrências não podem passar em branco, sem que ninguém ouse exteriorizar a tristeza que passa na nossa cabeça quando nos deparamos com um caso assim.
Concluo, sem dizer do mundo poder ser melhor ou tais idiossincrasias tolas das quais falamos em nosso dia a dia e que são muito mais quimeras que algo a mais, mas em tom de denúncia para, saibam todos, não calar a voz de quem por tanto não se mostra inerte.
Fortaleza, 24 de fevereiro de 2012
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