quinta-feira, 1 de março de 2012

Uma História de Guerras

Em mais um dia de árduo trabalho na assessoria da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, enxergo-me em mais um final de expediente, ao por os olhos em um e-mail que foi-me mandado já pelo período da noite. O título da mensagem era: 100 Years in 10 Minutes (1911 - 2011 in 10 Minutes); a qual logo chamou-me atenção e, despreocupado abri o seu conteúdo: não, não era um vírus ou uma pegadinha ou mesmo uma artimanha hacker. Linkado para o You Tube, pude assistir em estado de pasmo, que, no final das contas, os 100 anos vividos nos dez minutos do dito áudio-visual, tratavam, se não tão-somente, quase completamente das guerras ocorridas em espaço-tempo globais; vi-me preso a umas poucas evidênia de paz, como imagens de Ghandi e Einstein, mas, por demais passaram-se bem diante de meus olhos, todas as atrocidades cofiadas pela humanidade nestes anos todos.
Passou-se-me das revoluções industriais do início do século vinte, o que, por si só, não consta como atrocidade, mas que apenas revela uma preocupação relativa ao desenvolvimentisto progressista próprio da escola positivista, onde a ciência feita como base edificou todo a intuição teórica de produção de conhecimetno, e não com uma prática ativista de conquista pelas humanidades, artes em geral e epla política de paz. No entanto, ao geral, assisti mortificado aos mandos das duas grandes guerras, da subida dos fascistas ao poder ao ápice e derrocada de Hitler; do poderio bélico americano, grande potência do século ao martírio de jovens na inexplicável guerra do vietnã; das passagens pelos massacres soviéticos enquanto sob ditadura de Stalin; do desenvolvimento e experimento em humanos, das bomba atômicas – primeiramente em Hiroshima e Nagasaki – e da bomba de hidrogênio, sendo um verdadeiro passeio por atrocidades toda a relevência que pode-se ser conferida ao vídeo. Lembrei-me de memória dos estudos atuais sobre “A política do Mêdo” estudada pelos mais lúcidos intelectuais como Eduardo Galeno e Mia Couto e, o aparente inofensivo quadro exposto a mim através da rede (como tantas outras vertentes internáuticas) mais pareceram-me como um aviso para quem quiser se aventurar pelas páginas da História de que encontrará muito do que desgostar-se que uma simples redução ao formato cinematográfico de uma realidade senil. Claro, pode ser que seja apenas uma intuição minha sem valor de fundamento, mesmo assim deveríamos sempre atentarmo-nos para as dicotomias existentes por detrás de maquinações efervescentes que se nos pautam sob os olhos.
Como não há por onde fugir, a pessoa, diante deste tipo de informação, passa a internalizá-la e confundi-la com o habitual e casual do dia-a-dia, sem ter tido uma reflexão quiçá mais profunda a esse respeito. É daí, então, que nasce o meu motivo de preocupar-me com este tipo de conteúdo, vinculado principalmente à grande rede, e disseminado viralmente. Cabe, sim, a nós; e, é também de nossa preocupação, estarmos atentos para o que nos dizem, ainda que seja verdade muita vez as passagens as quais passeamos nosso olhar serem inverdade, também em outras ocasiões, até onde não é isto uma ferramenta para a propagação do mêdo de forma incutida em nossas vidas? Cabe o pensamento, o cuidado e o respeito com tais dicotomias – respeito para que não passem batidas – e a audácia nossa de, todas as vezes que nos sintamos ameaçados, agirmos de alguma forma.

Pedro Barreto Costa
Publicitário pela UFC

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