segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O Blog da Revolução

Se a blogueira Yoani Sanchez, com respaldo de erigir um blog de amplitude
mundial, a partir de uma militância nascida da insatisfação com os proclames da nova
ordem ditatorial regente da Ilha, hoje na pessoa de Raúl Castro, chega ao Brasil e é
vítima de má interpretação de uma população que despreparada politicamente age sob o
impulso ignorando aqueles que são os pontos chaves desta insidiosa questão, a saber, os
seus escritos por sinal bem embasados e coercitivos nascidos por extensões eletrônicas
e expandindo-se até discursos; ainda que comedidos em tom no que ácidos em conteúdo
– não é questão de pauta realmente relevante. Nem para nós, o povo brasileiro, ou, para
eles, cubanos insatisfeitos.
É fato, portanto, esta ex-neófita, uma proclamadora de direitos universais com
fundamentação intelectual e capacidade política acima da média; a levar o contingente
de uma geração na nomenclatura dada ao seu principal meio de difusão de uma
informação que é poder, ter conseguido transformar as angústias de uma era em uma
posição ideológica.
Convertendo os valores de uma Revolução antiga, onde hoje, nos dias atuais, a
maioria de seus agentes e partícipes desafoga um grito de liberdade, ao momento que
coincide com uma resistência de um regime ímpar o qual venceu ao tempo e às
adversidades consoantes de um imperialismo capital norte-americano, Yoani hoje é a
voz que deflagra o sistema de capitalismo de Estado; termo por ela eflúvio de seu
discurso central.
Note-se, não caberem aqui jugos maniqueístas, de bem e mal.
Forte, a mulher dos trinta e poucos anos, provinda da ilha mais noticiosa do
planeta, advinda de um povo que conquistou muito e que vive em uma inércia
adventícia dos anos de embargo econômico; sob o detento de uma sociedade isolada dos
meandros do capital global e determinada em promover a livre vontade e expressão,
resguarda uma tríplice contingência: a das minorias, a das ideologias e a das reformas.
Tomada em um momento político expressivo e único, a posição contra o regime cubano
de Yoani, reverbera a insatisfação (paradoxal) do mundo para com o capitalismo e dos
revolucionários para com a revolução; ou, pelo menos ao que resguardou-se dela como
críticas ao domínio ditatorial, prática isenta de questionamentos ainda que muito
arriscada enquanto um posicionamento pessoal.
É justo sob esta linha tênue que caminha a blogueira Yoani Sanchez. Correndo o
risco de com sua atitude limítrofe, descambar aos interesses do capitalismo de uma vez,
no lugar de vivenciar o conteúdo de seus protestos; interessantes enquanto referencial
para uma gente nova que começa a fazer política agora , e, disso ter de manter a
consciência deve ser seu maior desafio, o de estar a par de, com suas viagens pelo
mundo não cair no deslumbre e virar o tampo da loucura ante tamanha badalação; no
mais, são acordes conhecidos de uma já velha canção.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade |Federal do Ceará

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