Na Republica Federativa do Brasil, ou em sua minoria alguns aos quais é dado o privilégio do saber, retifica-se cada passo dado rumo à construção de uma nação saudável, numa farsa digna dos prados visitados por Moliére, na França. É o nosso Brasil, uma versão quixotesca de uma República verdadeiramente séria como a dos americanos, inda que imperialistas, um povo espetacular no que diz respeito ao compromisso com o ideal da liberdade; em uma visão mais alargada, uma teoria que iguala-se na prática em ideais nacionalistas, por tantos criticados e satirizados, mas que no fundamento político, guardam um princípio moral, a saber, respeitar o povo a si mesmo enquanto pátria. No que, ao plano brasileiro as contingências resvalem em personas folclóricas muita vez externalizadas num sentimento de galhofa e caricaturismo, os nossos heróis de nossa História, são – a rigor – figuras cuja latência esbarra em uma corrente malandra onde os espertos estão à evidência, guardando para a posteridade elementos mesmo da política sem representatividade de valores, mas em evidência por feitos estrambólicos de sua personalidade excêntrica. Para o folclore, isso é ótimo; entretanto em entraves mais cônsios de uma insurgência da qual o país necessita e premissa para uma imagem mais positiva do quanto tem o nosso povo a oferecer ao resto do mundo que, no que guarda de narcótica – por levar a patamares incomensuráveis o excelso na paródia, explorado à regalia do niilismo mesmo nos nossos maiores representantes, seja na arte, seja no plano da realidade imediata – exprime uma vontade de penalizar a quem vê no seu mundo que é o Brasil, a decepção frente ao árduo trabalho no sentido de construção objetiva de exemplos de nação, perante a exaltação de figuras caricatas, folclóricas prementes a um modo de fazer político bem brasileiro, ou seja, que pontua uma personalidade não por caráter ou esmero mas por força desta de apontar para o mundo a nossa conhecida e manjada veia cômica; aquela, de nunca levar-se à seriedade, e, assim despojando a segundos e terceiros planos as verdadeiras forças motrizes de nosso Brasil, pessoas que não têm a condição de artistas das massas; figuras cheias de agremiações simpáticas à parca clareza que têm os brasileiros do fato de chacotar não ser o melhor modo de se exibir; exploradores da ingenuidade de uma nação mal (in)formada, donde o riso é o maior prêmio – mas, que são sim, rígidos em traçar no dia a dia (um tijolo por vez) a trajetória da brasilidade deste imenso Brasil.
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
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