sexta-feira, 29 de junho de 2012

Lula acorda com Maluf

A foto estampada nos veículos de comunicação em massa do presidente Lula apertando a mão de Maluf não mente. A recusa à socialista Luiza Erundina, que almejava o lugar de vice na chapa do petista Fernando Haddad, por pouco menos de dois minutos na televisão e no rádio, mostra uma vertente do pensamento lulista, dantes uma irresponsabilidade do que jogo político.
O vale-tudo da corrida eleitoral pelo pleito do maior colégio eleitoral do país demonstra o nível de fragmentação ao qual chega o antigo partidarismo; vivemos hoje uma política de indivíduos, com interesses diferentes e ideologias dispersas. Se é verdade que ninguém esperava da parte de Lula um ato com tal significação simbólica, também o é o fato dele – por deixar o caso tanto às claras e, aparentemente sem uma preocupação para com o impacto da ação no seu eleitorado – demonstrar segurança e transparecer ciência do efeito e das conseqüências de suas decisões.
Para a maioria, o ocorrido foi vergonhoso, e há quem ache do câncer recentemente enfrentado por Lula ter tido efeitos danosos para sua lucidez, tamanho absurdo que aparenta ser o acordo fechado com o famigerado Paulo Maluf.
Haddad avalia a situação com frieza e acredita não haver problema na união concordada. Sem fazer alarde, encara com naturalidade o fato de ser preciso fazer alianças – com quem quer que seja – na briga pelo poder.
À população em geral, que tem em Maluf um político de hábitos, no mínimo, questionáveis, a notícia foi recebida com choque. Ninguém esperava; mas, para a ala histórica do PT, esta decisão está dentro do repertório da retórica lulista, apontando alguns para um movimento errado, entretanto, já conhecido do caráter volátil do presidente.
De fato, o ocorrido deverá ser esquecido durante a campanha – ainda mais se se configurar uma vitória do PT em São Paulo. A movimentação é deveras de um dinamismo do qual nada podemos prever, apenas fazer inferências das ações eleitoreiras, em uma palavra, esperar demais dos políticos brasileiros, o nosso povo já sabe que não pode; então, resta apenas exercer o direito de voto da melhor maneira possível, medindo cada ação de cada candidato; observando para onde parece dirigir-se a dinâmica das eleições e procurar não remeter a uma decepção a escolha a ser realizada em outubro.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

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