quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ponte Estaiada

Rompendo a tradição, os moldes da sociedade em busca de uma dita modernização na paisagem de Fortaleza, a construção de uma ponte estaiada ferindo a região de preservação do Parque do Cocó, passando pelo rio e ligando lados da cidade, num desafogo do trânsito, à primeira ordem, pode parecer num projeto de liame progressista, atender ao rogo das deficiências urbanas e mesmo tornar-se um novo cartão postal para a cidade.

Paradoxalmente, entretanto, na virada de um novo milênio, às maravilhas da ciência imposta na solução de problemas como este, há nesta mesma linha a necessidade de preservação; uma condição ortodoxa, talvez, mas um requisito que pauta o laisse faire de modo moderno, às vias de termos como sustentabilidade e ecologicamente viável.

No entorno do parque a política demanda uma resposta para a pergunta principal, cá imposta: a construção da tal ponte iria, realmente, amenizar os problemas a que se propõe? Ou ainda, o capital investido traria o retorno esperado quando o fluxo pela região é de ordem quilométrica e precisa ser adejado?

São questões a serem discutidas.

É justo no debate, onde a própria delimitação da área é um ponto nebuloso, onde moram as saídas para não obstante o parque necessite a preservação, Fortaleza continue a crescer independentemente das medidas tomadas – ponto nevrálgico este, já que as propostas de sustentabilidade ambiental venham a colidir com a premência enxergada nas aberturas implicadas com a especulação imobiliária, a qual, poderia transformar toda a área verde em um conjunto de concreto, lacerando assim não só a cobertura vegetativa, mas causando inúmeros transtornos como ondas de calor; as chamadas ilhas.

Importante ressaltar a disposição com que alguns setores da sociedade civil têm se posicionado em relação ao tema, buscando no diálogo uma maneira de propor um meio termo entre o processo de engrandecimento material por que passa toda metrópole em determinado momento de sua existência e o arregimento eco-ambiental tocante à premente revolução das políticas urbanas no seio da sociedade.

No mais, a importância de um vislumbre não reacionário, a conter nos dois âmbitos mesurações, cáuculos, advindos de um constante desenvolvimento da discussão provinda corriqueira de embates assim se nos impostos enquanto cidadãos, é enaltecer o valor da propriedade, ao passo em que entre-se a melindres devedores ao caráter econômico, também um fator a ser relevado se considerado insumo de um sistema em vigência.

Clama o social, mas requer à dissolução na prática política, a resolução final deste embate; levando aonde puder a medida mais justa sem peso para os detentores do poder público maior ou menor que os delegados por direito à sociedade civil.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

Nenhum comentário:

Postar um comentário