Confirmando as previsões, desde o estouro das manifestações recorrentes de um movimento massivo global a criar raízes, e florescer por aqui também, de que o quadro eleitoreiro de 2014 assim como as posições tomadas no meio relativas à configuração defratada deste reflexo da situação social, iriam desabrochar em um movimento errático quando em se tratando de migrações partidárias, teremos daqui em diante, aleatório à promulgação da política regrada de quem muito viveu-se pós-democracia, o caos das organizações de poder enveredado pelos descaminhos tomados em decisão parcial pelos indivíduos, não só políticos, mas cada um que se encontra envolvido com a pluralidade da ocasião.
Os suspiros de liberdade oriundos da nossa “primavera” e a exponenciar as insatisfações do brasileiro com o status quo vêm tomando espaço no cotidiano até dos mais simples, aqueles à quem a vida vem aguerrida de pequenas tarefas, exercícios diários os quais de labuta os servem ao bom sono ao fim do dia; os destemperos da casta privada em que tornou-se o nosso conclave e encontram barreiras reais nos despropósitos dos mandatários ainda sejam legítimas formas de se expressar enquanto cidadãos e também por isso devendo contingenciar as decisões dos poderosos como – com alguma relutância – estes vêm sendo obrigados a fazer, o que observa-se inda pontuais e opacas.
Resistência.
Talvez a palavra da hora seja essa. Ninguém enquanto sociedade participativa agüentaria ao ponto no qual acercam-se as batalhas rueiras as injustiças e a inabilidade dos governantes de resolvê-las. Há por definição certos grupos radicais que, revoltosos, prestam o papel a quem coube a grande mídia chamar de “vândalos”; nem iremos entrar às conjecturas daí reminiscentes, porque pouco importa se são uns poucos; infiltrações conspiratórias ou elementos de classe tendo por única vazão de sua insatisfação - compreensível até – a prática violenta. Devemos, por outra óptica, lançar sobre esta colcha de retalhos um olhar solúvel, no sentido primeiro de adquirir solução, rememorar no passado a opção certa conquistada na luta (mesmo a armada) e, aprender com o que deu errado.
Toda a nação está envolvida, querendo ou não, nesta distensão histórica das tendências abusivas das práticas de poder. A visão do político, bem como a do cidadão, hoje, nada pode contra a insuflação das massas, a não ser partir para o campo da prática, erigir novas lideranças, ouvir as reclamações e, por fim, entabelar ao plano de governo que lhes toma o tempo em viagens para o exterior ou manipulações financeiras corruptas, à procura de um entendimento maior da situação para daí nasçam novos processos de cura para uma crise sistemática gritante a qual não converge de um erro do passado mas de uma ferida no presente que teima em sangrar.
As concepções futuras, virão a provar – ou não – a nossa capacidade de entender a humanidade.
Pedro Costa
Publiciário pela Universidade Federal do Ceará
Nenhum comentário:
Postar um comentário