Reconfigura-se o sistema, a nível de informática, quando este apresenta algum “bug”; em outras palavras, uma falha apodera-se de sua configuração default e pede por uma correção para que aquele possa voltar à sua funcionalidade normal. Em termos de Brasil, a política tem-se mostrado semelhante a um softer que precisa de reparos, o antigo partidarismo, o qual acompanhara o sistema da fundação do Império à República, desvaneceu-se como poeira; apresentam-se os partidos hoje quais entidades extra-individuais e potencializam o político como um super-homem.
Uma leitura das contingências atuais no Brasil, demonstram justo esta defasagem, alianças surgindo e apagando-se como por troca de opiniões de seus partícipes e a adequação de cada sigla ao seu semelhante partidário; vinculando-se massas politiqueiras a um mesmo bloco e espargindo do cenário as antigas ideologias. É o que acontece hoje com PSB, partido surgido de 60 anos para cá e agora principal vitrina para a classe média, esta sempre buscando seu reflexo nas castas e, por algum otimismo, ainda demandando valor às velhas exceções fugidias de alguns nomes para quem sua representatividade ainda gera algum interesse ético e moral, inda saboreada a um novo prisma, desde quando a posse de um metalúrgico ao poder referendou a mesma classe à importância jamais tida por ela antes. Mas Lula, a quem refiro-me tacitamente, é do PT; um partido a respirar hoje ar de poderosos, responder por calúnias corruptivas e desenaltecer em uma rasa modelagem a, aos poucos, apagar-se nos seus já mais de 10 anos de governo.
E, agora, mais ainda o PT de Lula e da então presidenta Dilma Roussef, já aponta para a desinência socialista como uma ameaça a seu patronato. Com a escolha feita por Marina Silva – principal adversária estatística dos petistas – pelo socialismo de Eduardo Campos, neto do brilhante Miguel Arraes, e pré-candidato à República. A soma das forças alterou de fato o quadro para as eleições próximas, tendo Silva que alterar do conforto que seria seu partido mais novo, a Rede, para o campo de batalhas, alterando forças com Campos. Isto significa guerra. À população um espetáculo debordiano a aguarda e as conferências midiáticas, a partir do presente momento, deverão dar o tom dos alardes dia-a-dia.
Suplantado, o outro candidato à presidência, o peesedebista Aécio Neves, neto do não menos solene Tancredo, prova no amargor da despolarização política a esperança de passar para o segundo turno e contar com o apoio da aliança contra o governo situacionista. Mas isso já é outra história. De antemão, deveria melhorar o seu relacionamento com seus co-partidários; o PSDB encontra-se realmente enovelado, para dizer o mínimo. De qualquer forma, a mudança (não em parte mas em todo) finalmente veio à tona; a cargo de quem vai ficar a escolha do futuro, espera-se do eleitor visão e segurança para, numa precipitação sem tamanho, não acabar por levar-nos a nós todos à bancarrota.
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
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