Então que são vaiados os médicos do exterior recém-chegados para cumprimento de quadro, medida paliativa para o caos na saúde.
Aparentemente protesta-se contra a tomada dos lugares desses mesmos agentes brasileiros, afirma-se deverão locar-se os cubanos, chilenos, etc. no posto daqueles aqui presentes; mas, ora, de algum modo é necessário melhorar a qualidade médica do atendimento passando pelos permeios de um entrave do qual a população demanda aos governantes por um serviço qualitativo de melhor patamar. Estes mais afobados, espelham em palavras de ordem gritadas contra o contingente d’algures vindo qual fosse deles a medida, e, não do governo – aliás, a posição dos médicos de fora é mais de solidariedade; não estando eles fugidos de seus países (como poderia-se inferir erradamente no caso dos cubanos haja vista o regime castrista), não: apontam para o horizonte brasileiro com uma esperança de melhorar o atendimento, dar contornos profissionais às práticas de emergência, fundar um posto de saúde em pleno Brasil deficitário.
Portanto, pouco veemente, a manifestação contrária à vinda desses “doutores”, é um pudico meneio de uma vaidade arrastada, sem fundamento; haja que estarão por aqui, servidores de um meio onde o problema do qual padecemos cá, por lá, ser visto como uma entrega, um compromisso de maneira a estabelecerem por aqui o vínculo médico-paciente do qual tanto necessita-se, o médico familiar; a procura retomando agora sobre uma eminente profusão médica, um anteparo de quem se vê algo além de preparo; atuação profissional, semblante sério.
Alegados destemidos, vieram.
Encontram algumas barreiras quais a possibilidade de volta para seu país de origem caso falhem na prova, o idioma, e, a própria relutância do setor. Ver-se por um ângulo ingênuo, a guisa de informação, sua chegada como a solução para a precariedade da saúde no Brasil, embarreira com afirmá-los de todo desnecessários e contrários à atitude preventiva da qual faz parte o projeto do governo.
Abastecer os postos com os agentes, ainda não observadas algumas reivindicações importantes de classe, como a falta mesmo de trabalho pertinente não apenas quando se trata do profissional médico, mas alertando ainda às carências dos quadros dos demais profissionais da saúde, como enfermeiros, dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos; passa a temperar com gosto uma deficiência para abrir uma demanda empregatícia por outro lado: não pode-se excluir como objeto de análise a carência de vagas para estes agentes.
Mas, vá lá.
Concatena-se com isso tudo, que, no mais das cousas, uma medida concreta fora tomada. Raro entre muitos governos anteriores. Representante de uma decisão desta magnificência, a presidente responde pelos seus atos, conquistando o gosto de alguns, perdendo o de outros; mas, não aparenta ser um ato populista simplesmente a vinda dos médicos – menos que isso os governos anteriores sequer chegaram a tentar; portanto, é uma ação de prudência que sejam tomadas as lições aprendidas dos demais, dos dantes vindos, sabendo-se ainda não participar na ousadia uma temeridade, apenas uma vontade política sem propósito; e sim, uma medida que se não tomada poderia adiar o problema para um futuro não sabendo-se bem onde iria parar a situação emergencial da saúde.
Fez-se, logo, com o material que tinha-se em mãos aquilo que poderia ser feito, para o bem ou para o mal.
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
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