A despartidarização é o centro do furacão que é a política brasileira enquanto cenário atual. A antiga regência do poder por alas partidárias bem definidas chega ao fundo do poço. Hoje ninguém mais vota no partido, mas no candidato. Elege-se um bloco direitista e esquerdista como exemplo frugal daquilo que se passa no meio politiqueiro, ao que espere-se do primeiro – nas atuais condições enfrentadas – façam uma oposição ao segundo, hoje, a laia sobre encargo do poder. Vota-se no nome, na força do político em questão; pode ser bom como pode também não ser, mas é fato que a nova esquerda brasileira tenha um alcance vertiginoso, principalmente após a eleição e reeleição de Lula e a subida da primeira mulher à rampa do planalto, deferente aos reclames oposicionistas de uma direita falida que se apóia nos ombros da mídia anti-partidária que elege para santo quem lhe pague a maior quantia.
Ser de esquerda no Brasil agora é viver a mudança. É ser prestativo aos mais desafortunados e observar a inquietação nas casas legislativas de um jogo político que debalde arremessa ao fogo as leis partidárias, vingando assim o “cada um por si”; realidade em que a vista está o posicionamento de muitos pretendentes aos cargos eleitorais.
Surgem, daí também, os mega-blocos de partidos, uma massa heterogênea e indefinida de ideologias a custo de banana, onde perfaz-se a roga por um desenvolvimento de currais eleitorais (ainda estes) no que sua aposta consta enquanto vingarem a vertigem dos poderosos hoje da esquerda e o desequilíbrio da direita oposicionista. Assim, perdem-se os candidatos entre as prevaricações estimuladas por meios antigos de se fazer política tão diferente das agremiações surgidas com o sentido de acabar de vez com os partidos. A esquerda tem seu papel nesse jogo, que é a de manter-se elegendo seus candidatos como bem vem fazendo já de algum tempo pra cá, sendo o PT o partido que mais tem gente em posição privilegiada no país, ainda com outros partidos “emergentes” – como PSB, PCdoB, etc. – a posicionarem-se ao calço de nomes outrora mais evidentes dentro do ditame eleitoreiro e que então vêem-se numa posição a qual almejaram por um período demasiado longo. A direita, a qual não entra no jogo da esquerda, vai-se amofinando e perdendo horizonte a cada batalha nas eleições, e, o que poderá resultar disso ainda é uma incógnita, mas que pode-se especular: abrir mão de algumas margens partidárias para avançar em outras áreas; como manter-se firme no poder no maior colégio eleitoral do país, São Paulo, em detrimento de conquistar – através de uma coalizão de partidos afins, e, somente desta forma – o poderio nacional.
Ainda à esquerda e ao esquerdismo é relutante a característica de varrer a corrupção do país, o que chega-nos como uma premissa de missão à qual entrega-se a presidenta; por vezes esquecendo com sua “música, o principal”, a saber, fazer o jogo da política internacional e enveredar o Brasil entre as maiores potências do mundo. Não é o caso de reprovar a atitude da chefa do Estado brasileiro; apenas de dirigir a informação no sentido em que se for possível faze-lo desta forma, a medida seria bem mais interessante, e que ficasse sabido de todos que a luta contra a corrupção parte, sim, do comportamento de cada cidadão em relação ao Estado em que se vive.
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
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