terça-feira, 17 de abril de 2012

O Drama de Chávez

O capitalismo de Estado que vive Cuba reverbera um sistema de outrora vigente em assemelhar-se ao máximo à ideia do que viria a ser o sistema Comunista. O afastamento de Fidel Castro do poder por motivos de saúde e a subida de seu irmão, Raul implicam talvez no fim do regime por muito tomado como nocivo à Humanidade e reprimido pela potência norte-americana de modo avassalador, além de ter provocado ojeriza de – alguns – de seus cidadãos no quesito liberdade.
Há alguns anos atrás, observou-se, entretanto, emergir na América do Sul, mais precisamente na Venezuela, um levante representativo do poder das esquerdas em embate com o neoliberalismo então instalado no globo como “medida cautelar” para a queda do antigo sistema capital envolto em sua manta nebulosa de lucro a todo custo.
Subiu então ao poder, o presidente Hugo Chávez, sob os aplausos de sua população em euforia. No decorrer do seu mandato, não faltaram, no entanto (principalmente por parte dos capitalistas ainda em voga), divergências com o seu modo de governar, e, sobretudo a respeito do seu pensamento ligado à Ilha, o que lhe deveu os atributos de um ditador, ao que acordava a massa, no mais das vezes sob forte influência dos americanos do norte.
O modo de fazer política de Chávez revelou um grande estadista, preocupado com a manutenção de um Estado mais igualitário, apesar do que era bombardeada pela mídia internacional a opinião pública, a arrematar sua figura a de um despreparado governista, com uma ideia fixa na revolução e sem capacidade para o trabalho. Pura enrolação.
A verdade é que não resumiu suas atividades simplesmente ao erguimento de uma Venezuela mais responsável pela distribuição de suas riquezas entre as classes sociais do país; atuou internacionalmente, levando sua força a inúmeras nações, realçando sempre o valor de uma política voltada para a divisão de renda.
Ainda atuante no meio rural, espezinhou a grande Voz do capitalismo e remontou no seu país uma constante que foi a luta pela remarcação das terras, esperada por décadas e que há muito havia sido impingida pelos governantes anteriores.
Dentro dessas colocações, Hugo Chávez mostrou-se presidente valoroso, capacitado, e eminente representante do Comunismo. Valores que deram por mortos dentro das possibilidades de uma política planetária desde a queda da antiga URSS.
Seguindo essa linha, acordamos agora para um grande impasse que está acontecendo na Venezuela, a saber, o drama de Hugo Chávez, que ao que consta, sofre com um câncer que o levou a fazer tratamento no Brasil e em Cuba.
Este fato coloca a América do Sul em estado de expectativa, afinal, o único representante de uma esquerda vigente que notoriamente opõe-se a todo meneio de capitalismo – seja o de Estado ou o Neoliberalismo – vive um drama pessoal. Tal problema, relativizado à problemática mundial, onde uma crise feroz toma parte da maioria dos países europeus, no norte da áfrica, emirados árabes e até nos Estados Unidos, é a gota d’água para quem aposta na sobrevida do socialismo, ainda que remanescente em suas bases, em Cuba.
Se Chávez vir a padecer, não sabe-se ao certo o futuro do Cone Sul, haja vista o maior representante da veia que representaria a esquerda da esquerda estar em falta com sua saúde. No resto do continente o momento é de expectativa sobre o prenúncio fatal do presidente venezuelano. E no mundo. A esperança é a de que ele reaja e faça seu antígeno político afetar de uma vez por todas as entranhas doentes do Capitalismo global.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

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