segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O Rosebud de Marinho

Maior rede midiática do país, terceira no mundo, a Rede Globo de Roberto Marinho tornou-se a campeã de audiência e líder na preferência de nove entre dez brasileiros.

Nos bastidores, o qualitativo jornalismo global, aponta índices de aceitamento inigualáveis, crédito sendo dado a qualquer notícia processada nos diversos jornais televisivos; temas em programas de entretenimento; e, principalmente o folhetim nas novelas – talvez seu maior produto de exportação, alcance de audiência estratosférica.

À parte da inexorável competência dos atuantes globais, entretanto, inda vinga uma prática tendenciosa, isto, por outro lado, participa de um conteúdo (em seu mais das vezes jornalístico) noticioso próprio da máxima de que a imparcialidade dentro de um meio de formação de opinião é uma ilusão à qual dá-se por demais crédito.

Não há como desdobrar dos efeitos impactantes de sua programação, chegando aos mais diletos e mais desinteressados expectadores, agindo como uma produção de informação de níveis incomensuráveis.

Claro, iremos ainda bastante ter o que interpor entre a vontade empreendedora de seu criador, Roberto Marinho, que resvalou no apoio aos grupos situacionais durante a época da ditadura, por exemplo, e o entreposto do público ansioso por novas transformações midiáticas que resvalem em um acesso a programas de qualidade indubitável.

E, inda que por vários percalços desonre-se alguns feitos da Globo, aliás geralmente envolvida nos mesmos escândalos que denuncia, como não reparar a eficiência de seu material dentro de um contexto maior; e, se comparada a outras redes televisivas, quantas não passam por estas variações em desvios de opinião da população para interesses próprios?

Se o jugo da classe média é vista como termômetro para a sociedade como um todo, então aí reina a Globo, chamando no horário nobre estes ruminantes de intermédio entre o nada e coisa nenhuma, fixados os olhares diante da telenovela. Vá lá, a qualidade do novelesco caráter do principal produto deles, pode até ser motivo para tirar-se o tempo desse povo da leitura e desviá-lo para a televisão, onde pateticamente aceitam o que se lhes mostra, ou o que têm para si como realidade, quando em verdade encontram-se a anos-luz da mesma.

Se o jogo do Ibope é quem manda, então, o estrelato global pode ser comparado ao dos deuses do Olimpo na Grécia Antiga, intocáveis e detentores do destino dos homens em suas mãos bem fechadas. Todas as atenções voltadas para si, motivo de inveja para os menos pensantes que acham que o corpo astral é referência obrigatória para o seu modo de viver próprio, devendo ser copiados no quanto comportem-se da maneira como bem entendem.

Ainda, a iconicidade dada ao termo “global”, tornou-se medida para o sucesso, se está na Globo, é porque deu certo; a conquista maior à qual dá-se por satisfeito em se mantendo a este posto, e, fazendo de tudo para não cair dali para grupos menores. No entanto isso não é sempre sinônimo de qualidade, apesar de ser bem visto aquele que ali conquistou seu lugar ao sol.

Meçamos, com escrúpulos.

Não é pecado assistir à Rede Globo. Muito pelo contrário, ela tem o melhor jornalismo entre muitas no mundo, procura dar visibilidade aos fatos (verdadeiros ou não), e prima por destreza no que sabe-se por fazer televisão. Agora, não sejamos bovinizados pelo efeito cascata que a informação deliberada e desenfreada pode nos levar a tornarmo-nos meros robôs, a concordar com tudo exposto ali, sem pensar, sem criticar e, principalmente, sem levar-se a si mesmo em consideração perante aquilo endeusado como o Rosebud de Marinho.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

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