terça-feira, 21 de agosto de 2012

As Novas Tecnologias

Há um frisson em torno dos novos aparatos tecnológicos aos quais está sendo dada uma preleção um tanto quanto inaudita e otimista em demasia. Esperar nas novas plataformas digitais uma saída para todos os problemas do cotidiano é, no mínimo, uma aposta alta em uma prática bastante volátil. Achar que nos novos meios de comunicação – principalmente os surgidos após a década de oitenta, a saber, a grande rede e seus derivativos, como os computadores pessoais – são uma revolução no sentido de interditar os apetrechos mais tradicionais, como o livro e mesmo o cinema, tornando-os defasados, é uma aposta furada.
Em que estes tecnocratas, os desenvolvedores de sistemas em algoritmos, de softwares cada vez mais complexos em suas linhas operacionais, mas que oferecem uma facilidade a mais evidenciada na maneira como podem ser utilizados, têm de tão especial para serem considerados a nova vanguarda artística do milênio? Se, apenas são nada mais do que grandes matemáticos investindo seu conhecimento em programação e na elaboração de tecnologias que apenas servem para serem superadas pelo próximo projeto? Evidente, a Web, as novas interfaces gráficas, as redes sociais digitais, etc., trouxeram para nós uma possibilidade ímpar, a de repousar-nos do esforço de ir atrás por força própria daquelas nuanças mais delicadas do trabalho humano.
Exagero me parece, entretanto, resguardar valores estrambólicos a tais empreendedores, se a arte de nosso milênio não escapa também de ser a mesma que na Idade Média, quando a pintura, a literatura, a música eram as maiores evidências de que a técnica pode, sim, aliar-se ao modus operandi do fazer artístico.
A mudança ocorrida de uns tempos pra cá, portanto, embora não possa ser medida com uma régua pequena, não anula as possibilidades que aqueles aos quais chamamos os verdadeiros artistas, gênios atormentados da estirpe de James Joyce, que inventou uma vertente lingüística sem precedentes e que avizinha-se aos prelos do terceiro milênio, criam-nos em seus itinerários tanto de entrega como de técnica mesma.
E, em último lugar, a vulnerabilidade da reverência às novas tecnologias, mostra-se bastante claramente na eleição de povos aos quais é legado o direito a tais. Pois, grosso modo, temos ainda muitas sociedades iletradas de cultura oral pelo mundo, e, se deles não podemos esperar que sejam técnicos, mas que sejam artísticos, então quem sabe a modalidade do fazer artístico não está apenas esperando a hora de mostrar-se ao nosso novo tempo?

Pedro Costa

Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

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