O discurso político está em embate com questões relativas às práticas vivenciais ligadas ao que concerne o direito humano. Com a discussão a respeito, hoje, do politicamente correto e o papel da sociedade sobre determinados temas, o meio é cada vez mais inundado de uma problemática vigente e incorpórea, mas que traz à pauta certos assuntos por muito tempo tratados apenas por “debaixo dos panos” e que agora eclodem em uma necessidade de serem postos sobre a mesa e discutirem-nos.
A prática do aborto, a eutanásia, entre outras, são questões de interesse público, geralmente, relegadas à esfera política e religiosa. No que tange à primeira, discute-se se seria viável legalizar a interrupção da gravidez em alguns casos, quais o de relacionamento entre parentes; no caso de estupro e, de anencefalia; esta última tendo tido votação no senado e assegurado o direito da mulher de abortar o feto defeituoso -; à eutanásia segue-se a polêmica de se é certo (ou ético) permitir que um ser humano opte pela vontade de morrer em detrimento de uma vida “não digna”, ou seja, sem condições as mais razoáveis para dar continuidade a uma possível felicidade, para ser mais enfático. O casamento gay é outro ponto que tem dado o que falar, há quem ache o amor possível sobre todas as coisas, assim sendo permitido a pessoas do mesmo sexo a união civil e/ou religiosa; ainda o preconceito agindo como elemento dificultador.
O que é então o politicamente correto?
À primeira vista, é a ação que pretende julgo para temas tabus. Falar de racismo, de intolerância, etc. é mal visto por quem tem a visão tradicional ortodoxa, mas falar sobre isso pode ser uma maneira de, inclusive, amenizar as pressões que se exercem sobre quem se vê acometido de expressar a opinião sem ter de policiar-se o tempo inteiro. É outra polêmica, não há dúvida. Desembocar em processos de assédio moral, por exemplo, à praça do trabalho, é um índice de estar-se ainda apregoado ao valor pueril de que levar-se a sério é uma preocupação maior, no lugar de refrescar-se com uma liberdade, por sua vez só existente enquanto não se dê tanta trela a política feita nos moldes tradicionais – no sentido da castração e imposição irrestrita ao politicamente incorreto.
É evidente todas estas proposições darem-se a um plano generalizado, mas que se observadas e elucidadas sendo postas à luz da razão possam passar de um “problema” para a resolução do mesmo; e, tanto somente seria possível, não através de uma ampla discussão como se pensaria em essas instituições maiores e mais responsáveis – Estado e Igreja -, mas partindo-se da idiossincrasia individual do ser humano, à qual, vem-se atrelada já a predisposição para as dúvidas, e para a polêmica em si.
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
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