quarta-feira, 3 de abril de 2013

Seca: mazelas e soluções

Localizado entre trópicos, nosso imenso país, possui uma extensão continental que abriga vinte e seis estados mais o distrito federal em cinco grandes regiões. No cume leste, à região banhada pelo oceano atlântico, no Nordeste, o povo do Ceará, sofre com a maior seca em cinqüenta anos.

O problema, que vai da falta d’água para abastecimento da população até a morte do gado e chega à perda das plantações, esbarra na intransigência política, no descaso e no abandono desta parte do Brasil. Relegados à miséria, nossos irmãos do sertão assistem, às suas condições precárias, ao despreparo para o enfrentamento no deserto da caatinga, pisando o chão rachado, andando quilômetros para conseguir algum do que ainda resta de água nos confins da região assolada pelo desinteresse dos responsáveis.

Parte também do princípio da inerência de uma indústria, para quem é lucrativo haja demanda de recursos, quando ganha no sofrimento do sertanejo, ante o ganho de capital, ou seja, lucra na permanência em situação precária desta parte do povo brasileiro; na carência e na dependência para com o patronato.

Não obstante, medidas deveriam partir dos liames do poder, no sentido de remediar a condição inumana na qual encontram-se os nordestinos padecentes de fome e sede. Nada disso é interessante, pois o ônus é maior que o bônus quando a ação é remediar, empossar a estes sofredores terras onde possam plantar, criar gado e manter-se condições mínimas necessárias para a vida.

Especulam-se soluções.

De fato, o que deveria ser feito, à um tempo e na região como um todo, é o combate aos que ganham com isso, além do preparo com tecnologia, de utilização de técnicas de irrigação e construção de mais cisternas, além de prover um contingente maior de carros-pipa que levem água às famílias que padecem com a seca; uma investidura de maior grau, a abarcar a demanda como premissa de dar um fim às mazelas do povo sertanejo. Não é novo o encalço. O despreparo para enfrentar períodos de estiagem, no Brasil, é condenatório. E a falta de vontade política, gritante; há quem muito fale a respeito, pouco entretanto se faz. Alertar para os períodos de mais defasagem a população não sem um programa de combate intensivo, parece ser a melhor saída, no quanto pouco é posto em pauta, legando aos pobres de nosso país a herança maldita da inoperância do sistema de abastecimento através dos açudes.

Se pouco chove, deve-se ornar as áreas de abastecimento com planos técnicos no sentido de revigorar os dutos que levam água aos povoados; não ignorar e vilipendiar ao acaso a vida destes brasileiros.

Rendidos à mercê de uma tragédia que já não conta tamanho, eles esperam, mas a paciência dilige uma resposta, que deve partir dos poderosos.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

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