quinta-feira, 8 de março de 2012

Uma Singela Visão sobre a Internet

Tenho visto, como numa disputa entre os mais oposicionistas ao sistema e os mais cautelosos em desferir farpas contra o mesmo, uma embarreiração do pensamento humano. A que chamo isso? Ao emblema problemático de que surgem especulações – tanto de um lado como de outro – em relação ao aproveitamento ou não (sejam em quaisquer âmbitos) da tecnologia da informação; alguns dizem da internet ser um meio democrático e seguro de proliferação de artes e ideias, algo mais ou menos por cima comentado pelo então filósofo francês Pierre Lévy, considerado por si mesmo um otimista quando o assunto é a grande rede; outros expõem suas maleficiências presentes em hiatos informativos os quais costumam delegar, de acordo como o põem estes tantos, a uma constante vigilância da organização internáutica na rede mundial de computadores.
Eu, posiciono-me cá, não em posição de um ou de outros, mas tenho alguns pontos que acho serem relevantes, por serem ditos: um deles é a quantidade de informação inútil que circula na Internet. Pego-me escandalizado com o imenso número de e-mails que recebo relegando a mim o legado de uma sociedade onde a religião mesma é a constante universal, e com isto refiro-me às mensagens de auto-ajuda que simplesmente abundam na Internet como uma praga sem fim; gostaria aqui de deixar bem claro minha posição de ateu nisso tudo, pois, é claro, há pessoas que muito se aprazem de tais mensagens e inclusive são as maiores responsáveis por sua proliferação na internet. Esse é um ponto. Outro é que também não podemos dizer com certeza, e que fique bem visto esta questão, que estejamos o tempo inteiro sendo vigiados em nossa navegação diária, muita vez inofensiva; ingenuidade minha? Talvez. Entretanto não cabe a mim julgar o tipo de influência que disseminadores do mêdo entrepõem entre mim a meus atributos diários de modos e idiossincrasias de um pensamento muito meu; portanto, não acho que há esta tal preponderância de um sistema mau a vigiar cada passo nosso no meio eletrônico de disseminação da informação. Então, dois pesos, uma medida.
Este novo veículo que chama-se internet, como tudo na vida, tem seu lado bom e seu lado ruim: ao mesmo tempo em que nos invitamos a entrar num meio onde a circulação de informações pode beneficiar, através de seu acesso rápido e fácil, a humanidade como um todo (e nem digo aqui apenas pelo lado culto que a Internet nos propõe, como visitar museus e ler livros através dos programas criados com este fim), pondo um ponto final na questão de que poder é informação e que, se todos tiverem acesso a tal, teremos um universo mais igualitário. Contrapondo-me, vejo também a veiculação de um tipo de “solidão” que dificulta cada vez mais o relacionamento interpessoal ao vivo. Ou seja, as pessoas, cada vez mais, renegam-se à interlocução entre si para comunicarem-se via rede; acontecendo principalmente em relação aos jovens, que hoje vêm no dispositivo tecnológico a saída para um possível isolamento perpassado durante anos por uma psicologia social de distanciamento que pratica-se hoje em abundância.
Ler na Internet, visitar lugares sem sair de frente da tela do computador, enviar e receber correspondência, ter acesso às mais diversas formas de arte: isso também é Internet, em uma palavra, a informação desvinculada de um centro, até o ponto em que não haja a vigilância que descrevi acima como possível mas remota, em minha humilde opinião. Pois no universo das possibilidades, a imaginação pode conceber um mundo o qual não corresponde à realidade, e é por esse motivo primeiro que interponho cá estas observações. Então, é-de ver-se um Estado forte, como o que vivemos hoje, o Estado do capital, a girar como um aparelho exterior ao movimento volúvel informático que é transmitido todos os dias a cada hora, minuto e segundo pela World Wide Web. Quem lê jornais de papel, muito bem o sabem, pois quanto à informação consistente de via “manufatureira”, esta apresenta-se de certo modo mais duradoura e concreta do que qualquer valor de informação adicionado a um link da rede. Esta volubilidade do conteúdo, fez e faz da internet, não um terreno sem dono, mas um espaço cibernético do qual o seu bom ou mau uso fará toda a diferença no frigir dos ovos.
Toda a atenção para a Internet é necessária, o mundo, querendo ou não, volta seus olhares mais diversos para o desenvolvimento deste meio que, como já foi dito, ainda engatinha em relação ao seu potencial completo. Haverão de surgir ainda novas formas de comunicação; novos meios de estabelecer-se contato e outras vertentes das quais serão colhidos os frutos. É o que o momento atual requer, é do que precisamos. Não de uma laia de um lado a proliferar que estamos sob a égide de um sistema caótico onde a revolução do mal sempre vencerá – cousa mui hollywoodiana, entrevias – ou de outro lado, um bando de bovinos adentrando ao sistema, que por demais existe e é real, e comendo um pasto sem preocupar-se com serem pensantes e livrarem-se, com a desculpa do termo antiqüíssimo, da alienação. Que, se um dia os meios de produção tornarem-se efetivamente – como vem acontecendo – em todo este veículo de informação; então teremos aí que revermos os nossos conceitos e inventarmos novas formas de pensamento. Que é por aí onde mora toda a forma de organização da sociedade. Sendo assim, a continuidade evolucionista, em termos práticos e informacionais, não deve acabar com um derrotismo perante a grande rede, mas como uma visão de que, a partir daqui, ainda teremos muito o que evoluir, científicamente e como humanidade mesmo. Se esperarmos o fim dos meios de comunicação, o engano será nosso rival, pois estamos pisando, depois de muito tempo, num terreno do possível deslocamento das humanidades para erigir-se uma revolução, talvez a quinta, já que vivemos outras quatro, e da qual remanescerão quem mais for adaptável a tudo isso.
Encerro aqui, apenas relembrando, não é momento de derrotismo, mas sim de conquistas para nós seres humanos engajados em trabalho e querer. Enxerguemos com a mente que o futuro da Internet passa por nossa vontade, e, se esforçarmo-nos para a bem a fazer, poderemos ter uma surpresa, não digo positiva ou negativa, mas de uma ordem diferente, e, para todos nós.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
08 de março de 2012

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