quinta-feira, 15 de março de 2012

Primavera Árabe

A emancipação de uma classe de trabalhadores que teve seus direitos restritos pelo capitalismo de Estado. Insurgentes dos movimentos libertários que acompanharam a história nos últimos vinte e cinco anos. A ganância e soberba dos poderosos em uma busca desenfreada por petróleo. São alguns dos fatores que rechaçam a idéia de que milhares de civis devem morrer para que o povo seja liberto. Isso é uma procissão de temerários, algo fora do limite da razão, não peço que entendam o que dá-se no sudeste asiático, norte africano ou sul europeu – como queiram -, pois o movimento batizado como “Primavera Árabe”, não é menos do que um crime contra toda a humanidade, como o foram as duas últimas grandes guerras e as diversas emanações de lutas por poderes encontradas nas páginas perdidas do passado. Não podemos, entretanto, culpar a população por lutar por seus direitos à liberdade e às desamarras de uma ditadura qualquer que for que exista, de estar sob poder de tiranos, muitos se foram e ainda hão de ir-se, o que pouco conhecemos é o fato em que moram escondidos uma guerra de valores antiqüíssimos e uma sumária vontade de libertação sob a égide de uma massa guerreira; mas este é apenas um ponto.
Se por hora voltarmos nossos olhares para o que está acontecendo na região onde se passam atos desconformes ao terrorismo e a uma luta entre os “bons” do Ocidente e o “maus” do Oriente, não estaremos por um acaso assistindo a um episódio que repetiu-se já por dezenas de centenas de vezes sob os olhos estarrecidos da civilização em seu contínuo processo civilizatório? É lógico que sim. O fator da história de repetir-se sob atos atrozes e fatores heróicos é quase uma constante que, se vista como a busca insana por poder, deve ser em contrapartida avaliada e ponderada para que justo não aconteça de novo; mas a ambição do Homem chega a desvelos imperdoáveis e gera a repetição de erros já cometidos e conhecidos do nosso passado. Apelo aqui para que entendamos os motivos pelos quais se ergue à clava da luta em um regime onde os direitos populares são cassados pelas classes dominantes. Sim, o povo tem o direito de estar no poder; é assim que deve ser e assim que é; perdoem-me a ingenuidade de acreditar que em meio a tamanho banho de sangue, está o nosso mundo vivendo, finalmente um momento positivo para as massas e a população em geral, que, liberta e em chamas reage a confrontação e intimidação de Estados ditatoriais, com força do próprio punho! É assim que vejo a eclosão das manifestações que hoje ocorrem ao redor do globo, com afincadas notícias reveladoras, finalmente, de que, talvez pela primeira vez em todos os tempos, estaremos a ver o real progresso a que tanto pregou-se no passar dos anos; esta visão pode ser mesmo uma entonação dos primeiros passos dados no Egito quando seu governo foi destituído por massas populares recentemente e, que o mesmo aconteça nos outros países onde o poder estatal englobava toda a vontade das pessoas; salvo, é claro, algumas raras exceções.
Aquilo que noticia-se todos os dias por televisão, internet; enfim, meios de comunicação em geral, nada mais é do que uma explosão popular de onde renasce das cinzas a vontade de erguer-se uma rebelião democrática com poder de enfim restabelecer-se nos ditames das elites derrocadas, havendo assim uma inversão nos papéis. As conseqüências desses atos – a princípio desgovernados e caóticos – resvalam por todo o globo em patamares antes nunca atingidos; vemos na América as movimentações contra o abuso de capital, e, as frentes populares a exigir do governo mais atenção para si; a retirada, pelo então presidente americano, Obama, de soldados que vão para a guerra e lá perdem-se em motivos de não haver mesmo retaliação mais a se fazer, pois lá, onde estão, agora é que a inversão das polaridades atinge seus extremos; e, ainda veremos respaldos das ações globais a influenciar a popularidade da presidenta brasileira, Dilma Roussef; então o que dizer, se, as forças de emancipação ganham cada vez mais força, em detrimento de mortos, não há como mentir, de derramamento de sangue inocente, também o que falo deve ser ponderado, e, que fique bem claro; estar do outro lado, em oposição direta com os grandes poderosos do mundo não é cousa fácil, mas tarefa, sim, para estes heróis, emergidos da massa e que deram suas vidas para a reelaboração do novo quadro de distribuição de poderes o qual nos vemos a aprová-lo, em casos, ou reprová-lo, em outros. Toda a guerra implica em mortos, e a morte de uma única pessoa que seja já é justificativa para que não haja guerra nenhuma, no entanto, a indústria bélica insiste em patrocinar guerras para que possa mover o capital a seu favor, os banqueiros continuam a aumentar taxas de consumo e juros e os governantes tão somente esquecem que foi a população de seus países que os colocou no poder, e isso, nos países onde “existe” democracia.
Todo este imbróglio é concernente a nós, como é-nos importante o próprio oxigênio para os pulmões; não sejamos a favor da guerra, mas lutemos com as armas que mais às mãos nos estejam para ajudar aqueles que estão dando a vida pela nossa liberdade, olhemos com misericórdia para os famintos que vivem na escassez de água pelo mundo inteiro. Sejamos sensíveis às mudanças e também não fechemos os olhos, a iniciativa deve partir de nós mesmos, pois ninguém o fará pelas nossas vias, e se o fizerem será com o intuito de nos corromperem. Respeitemos o que fazem estes heróis que deram seu sangue numa destemida luta de classes e ajudemo-nos quando a injustiça parece suceder sobre o bom senso e acima de tudo devemos agir; conquistar como conquistaram os grandes pacificadores vindos antes de nós, miremo-nos nestes exemplos e, armas a punho, mesmo que estas sejam meras palavras, para reatarmo-nos enquanto unidade. Só assim venceremos.

Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

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