terça-feira, 20 de março de 2012

O Mito do Subdesenvolvimento

Não é sem alarde que observamos ainda neste início de século uma transformação nas desenvolturas políticas e econômicas de países, que, ao longo de tantos anos, foram tratados como subdesenvolvidos, mas que agora apontam sob novas etimologias como insurgentes ou “em desenvolvimento”.
Na contrapartida, as crises na Europa, EUA e nos Tigres Asiáticos, nos reaparecem como um pesadelo recorrente, estando estampadas as evidências do desastre capital ocorrido nas folhas dos jornais todos os dias. Estas crises, em si, pareceram pouco abalar o Brasil, ou pelo menos foi assim que nosso maior representante político, defendido em todo o mundo, pôde ressaltar enquanto estava no poder, o nosso Lula. Mas, é fato consumado de estarem estas turbulências, refletindo por todo o globo suas mais desastrosas conseqüências, afetando o Sul e o Norte; Oriente e Ocidente.
Há alguns anos falava-se no mito do subdesenvolvimento, sob o qual, países de estatura como o nosso nunca poderiam avaliar-se como desenvolvidos, já que, para os padrões malthusianos populacionais, se todos os países do mundo houvessem de consumir como os americanos o faziam nesta época, e ainda o fazem, os recursos humanos e naturais não seriam suficientes para dar conta de tal mercado.
Visto isso, o que explica então, hoje, estarmos despontando como a sexta economia no planeta e em vias de um alavancado desenvolvimentismo do qual padecem os outrora mais poderosos?-; é claro, os Estados Unidos ainda pertencem ao padrão AAA de qualidade, ou seja, têm as melhores universidades, a melhor saúde e os melhores economistas (dos políticos, há controvérsias); e, a China que desmunda o desenvolvimento apontando como nova líder mundial em potência, surge demonstrando que os cálculos antigos estavam errados.
As mudanças acontecidas apenas neste último decênio foram tamanhas que ousaria interpor as relações entre a massa e os detentores dos meios produtivos como uma verdadeira revolução, é para tal que o povo está nas ruas, e que digladiam e morrem todos os dias milhares de vítimas deste sistema capitalista falido. Falar então em mito do subdesenvolvimento seria agora uma prática no mínimo reacionária; retrógrada.
Para os BRIC, o momento é deveras de importância e capital, com o perdão do trocadilho, mas a evolução econômico-política destes países depende sobretudo do que nossos líderes estariam dispostos a fazer nesta involução do capital de Estado e remarcação da política democrática em certos pontos, ainda que em poucos: ditaduras caíram e ainda parece que vão cair; os elementos do poder estão aí, como bolas no ar para quem quiser fazer uso (ou abuso) deles e mais que nunca as massas tiveram tamanha oportunidade para fazerem-se valer e serem ouvidas pelos poderosos donos do nosso planeta.
A ojeriza que causa a população revoltosa aos grandes líderes políticos é hoje evidente, clara feito água - que por sinal, está em falta também -, e todos os dias somos bombardeados com notícias de que a África ao lugar de muito o que já foram como berço da nação os africanos, agora morre de fome, sede e AIDS; mas quem é o responsável por tanto? Acredito que, já que nossos homens do poder não tomam a iniciativa, e, mesmo por meios supostamente duvidosos – como através da arte mesma por exemplo – o populacho ( no bom sentido ) encontrou um meio de expor sua voz e vez: já que ninguém quer o problema para si, cabe a nós mesmos achar sua solução. E tem dado certo.

Pedro Costa

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