quinta-feira, 22 de março de 2012

A Crise

Em 2008, vivemos momentos de angústias e incertezas quando estourou a crise nos Estados Unidos, a este tempo, o então presidente da república, Luis Inácio Lula da Silva, resumiu a crise a uma “marolinha”, a qual não ricochetearia suas drásticas conseqüências aqui. Passamos realmente sem muitos problemas, mesmo que a oposição afirmasse que seríamos atingidos em cheio pela depravação monetária que correu o globo naquele ano.
Após a eleição de Obama, a América pôde assistir um presidente efervescente, que prometeu que cuidaria do país com as duas mãos na massa; não foi assim. Hoje Obama é criticado por suas medidas cautelosas e falta de ação direta nas vigências às quais os Estados Unidos estão à mercê. Mais uma vez, por aqui, as cousas andavam até bem: a economia crescia, a inflação parecia sob controle e as taxas de câmbio ficaram relativamente constantes, sem balanço de enfraquecimento ou fortalecimento exagerado da moeda estrangeira com relação ao nosso real.
Hoje, vivemos a era Dilma. O cenário da atual crise é a Europa. Surgem movimentos de todos os moldes e naturezas contra os banqueiros e a ajuda enviada aos países onde a crise foi mais intensa – e que achava-se que iam dar o calote – parte de países com grandes dimensões econômicas, como os americanos e ingleses, além dos alemães, e até dos brasileiros. Apenas a China parece que não tem interesse nenhum com o problema, reivindicando que o ocidente criou seus próprios problemas e que devam eles mesmos resolvê-los.
O que acontece?
Em pleno 2012, os países europeus passam por calamidades catastróficas; o povo vai às ruas e o Estado não tem o controle da situação, os países estão com as contas no vermelho e todos atinam que as cousas devem ainda piorar para aquelas bandas. Com o continente antigo afundado em dívidas, a ajuda financiada que parte de quem produz mais e consome mais arrebata um desequilíbrio entre as forças de mercado que é sentida inclusive no Brasil, ainda que em plena consciência de que cá onde estamos, e, se não devemos muito nos preocupar com as abomináveis manobras para salvar da depressão países como a Grécia, Espanha e Portugal; achar que isto não chegará a nós, que estamos incólumes perante a situação, é ser ingênuo.
Assim, Dilma tenta controlar os ânimos, e, a população assiste todos os dias às diversas manifestações populares que cobrem o mundo inteiro, gente que sabe da sua situação depender – além de forças do Estado e do mercado – de sua mobilização por uma luta em que não sejam comprometidas suas vidas profissionais e como cidadãos. Seja assim, o povo está na rua, enraivecido; acampando em frente à Wall Street e encarando de frente os banqueiros que querem o dinheiro circulando em seu pequeno círculo, enquanto a situação não esfria, ainda veremos muita vez uma massa insatisfeita e decidida a brigar nas ruas por exigência do que é-lhes de direito.

Pedro Costa

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