Apesar de assistirmos hoje a times padrões de alta qualidade levando aos estádios um público acima da média em países europeus, como é o caso de Barcelona e Real Madrid, é de prontidão que o respeito pela característica futebolística do Brasil recai sobre a nossa responsabilidade de fazer uma boa Copa. O fato é: o nosso futebol, ainda estando a passar por um período distinto de quando éramos a maior sensação mundial e quando jogar contra a nossa seleção era no mínimo motivo de temor por levar uma derrota de lavada, este nosso vínculo com o futebol de alta qualidade, ainda mantêm-se no sentido de nosso campeonato nacional ser o mais difícil do mundo e que, com certeza, provoca no torcedor um pathos toda vez que seu time entra em campo.
Isso prova que temos o mínimo básico para a realização de um evento de naipe como o da Copa do Mundo, o maior acontecimento esportivo do planeta. Pensar-se também em infraestrutura e transformações de caráter cívico e urbano como desafio, a saber, o de acomodar um contingente absurdo de outros países no seio de sua sociedade, é palavra de ordem, não se nega. Há-de-se executarem as obras – tanto as de caráter estrutural como de boa vizinhança – para tudo esteja pronto em tempo hábil. Correntes afirmam o país não ter condições para sediar a Copa, estando muito atrasado no quesito cosmopolitismo; tendem a pensar o Brasil como uma rede desgovernada de onde nunca poderia sair-se uma casta de ordem necessária para demandas desta natureza, em uma palavra, os problemas relacionados ao recebimento de pessoas de ao redor do planeta para gerir-lhes a acomodação necessária, acusam-nos, não somos capazes de fazê-lo.
Mas, retornando ao ponto inicial, não podemos esquecer que, mesmo criado na Inglaterra, foi no Brasil onde o futebol encontrou terreno fértil para florescer, e, esperar de um povo tido como apaixonado resguardarem-se quanto à vontade geral de recebermos a Copa do Mundo, é reduzir a capacidade da motivação de uma comunidade que sempre sonhou em ser referência – como muita vez o foi – quando o assunto é o futebol. Estamos cheios de sonhadores que trabalhariam por muito pouco apenas para ver seu país enquanto nação sendo campeã jogando dentro de casa; deste fato, parecido ocultado pelas grandes instâncias do esporte, infere-se já nascido pronto o brasileiro para a compleição do esporte em suas terras, funcionando este quase como um pré-requisito atendido de antemão pelo brasileiro. Lembremo-nos disso antes de sairmos por aí acusando o Brasil de atrasos e descaso para com os pontos de referência trazidos por uma cota desta grandeza.
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
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