quarta-feira, 2 de maio de 2012
Justiça seja Feita
Um efusivo debate em alguns pontos com teor de conversa informal, o I Seminário Memória Verdade e Justiça, ocorrido na última sexta-feira (27/04) no Complexo das Comissões da Assembleia Legislativa do Ceará, se não obteve ainda um sucesso completo, primou pela discussão e com certeza foi uma iniciativa de grande êxito por parte da Deputada Estadual socialista, Eliane Novais e sua assessoria, na pessoa de Valderez Albuquerque.
O encontro também contou com a presença de membros da Comissão da Verdade, do Escritório Frei Tito de Alencar, de figuras representantes históricas dos “anos de chumbo” e da Deputada Federal pelo PSB, Luiza Erundina, além de uma audiência participativa à qual também fora dada voz e vez. O tom, quase coloquial, o qual tomou as rédeas nas pautas postas em questão, todas referentes à programação feita com antecedência, foi suficientemente positivo para o resultado final da palestra. Vivido em dois momentos, manhã e tarde estendendo-se até as 18h30m, destarte o veículo de disseminação da informação presente por toda a conversa – reverso de um elitismo falso que prepondera em quase todas as instâncias – o dia foi tomado por uma onda otimista e a denúncia aos feitos corruptores acontecidos desde sempre no país tomou corpo de debate amistoso entre os partícipes – com, além da ordenação entre falas, apartes e participações especiais de quem assistia.
O pedido por Justiça fincou bandeira como pleno direito negado aos nossos compatriotas enquanto lutar pela democracia fora considerado um ato “fora da lei”, o resvalo pela lei de anistia dos políticos providenciava para que a tal conjectura reavivasse-se uma memória da qual sairiam ilesos mandantes de mortes e torturadores, no meio disso tudo, a temperatura do seminário esquentava, quem tinha algo para falar foi ouvido, e o respeito pela ordem não foi afetado não obstante os apartes entusiasmados e quebras de protocolo que tornaram-se em uma constante durante todo o ciclo.
Após uma colocação emocionante do cidadão Elias, tomado por preso enquanto protestava em uma greve, a saber, a dos agentes penitenciários, ocorrida recentemnte ainda no período da manhã, à qual o povo aplaudiu de pé, preludiu-se o que iria ser a segunda parte do evento. Quando voltaram do almoço as principais autoridades e reiniciou-se como segunda pauta com o discurso de Erundina, o entrave foi passivo do que parecia ser impossível: ainda que a representante do poder federal argumentasse ter “aprendido muito” na parte da manhã, o termômetro subiu mais uma vez em depoimentos enérgicos e cheios de paixão carregando junto o nível de excelência da iniciativa, a partir desse ponto ladeira acima subindo a cada fala, a cada quebra e prezando a ordem, nenhum momento abalada, e o que poderia desaguar num engodo, um nó de participações onde seria possível a perda do fio da meada, foi transfigurando-se em um dos debates mais importantes ocorridos em relação aos acontecimentos ocorridos no período da ditadura.
Ao fim da sessão, o clima de satisfações tomara conta de vez de quem estava presente, a própria Luiza Erundina, pareceu ter aprovado e assinado embaixo com o povo cearense a prospecção dos próximos eventos relacionados ainda com projeção para virem a acontecer. A impressão que ficou foi a de um primeiro passo dado no sentido do resgate da memória, verdade e justiça; um exemplo para todo o país. Até o embarque da Deputada Erundina num avião no aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, o assunto parecia inesgotável, nós apoiadores de Novais, presentes como a própria ao desenlace de um momento histórico, devendo servir de exemplo da boa política, algo a procurar-se como agulha no palheiro em meio à tamanha onda de corrupção assolando o país.
Bem, achamos esta agulha.
Pedro Costa
Publicitário pela Universidade Federal do Ceará
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