quarta-feira, 9 de maio de 2012

Geração Y

As gerações mais recentes, netos dos personagens da geração de 1964, experimentam um legado de grande generosidade por parte destes que vieram antes. A luta por direitos e igualdade perpassada àquela época culmina hoje em um estado mais participativo e livre como nunca talvez na História.
Palavras como sustentabilidade e diversidade permeiam o léxico da chamada Geração Y, aficionada em novas tecnologias, cada vez mais envolvida com a globalização, haja vista os espaços entre as pessoas, cada vez mais vierem diminuindo; herdeiros de um sistema caótico, uma rede de informações tamanha que se não for filtrada geraria doenças tais as neuroses e psicoses tão comuns nos nossos dias e “mão de obra” perene para terapeutas e psiquiatras com remedinhos que prometem a própria felicidade ao alcance de um comprimido.
Apenas para alguns a ficha caiu. Devemos de modo imenso à luta embatida nos períodos tenebrosos de “anos de chumbo”, a nossa vez à voz, o nosso direito de dizer o que pensamos, manter opiniões e espalda-las ao mundo. Porém, isto dá-se de tal modo que, mesmo com muitos “amigos” virtuais, nossas crianças estão cada hora mais isoladas, vivendo por detrás de uma tela de plasma, surfando em números binários, como nos presenteou ao nível de filosofia o que considero o maior filme dos últimos tempos, a brilhante filmografia Matrix.
Para o que vivemos, no frigir dos ovos, estamos nos esquecendo, e é necessário um resgate de memória e de participação mais intensas nos movimentos reais. A geração Matrix vira e mexe vê-se congestionada como a própria rede mundial de computadores, tornando-se letárgica em tomada de decisões. Não lê-se mais livros, a efetividade das relações é cada vez mais impessoal e o medo permeia o seio da sociedade.
Ainda assim, há quem afirme estarmos vivendo um momento ímpar em nossa História, onde o acesso à informação é um bem comum, e a proximidade física – se abalada ou não pela impessoalidade dos meios de comunicação de massa, inclusive a internet – dá-se relativamente às possibilidades de encontros pessoais proporcionados pelo aldeamento global, que nas palavras de Marshal McLuhan corresponde ao desproporcional crescimento dos veículos mass media.

Pedro Costa

Publicitário pela Universidade Federal do Ceará

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